Taline Oppitz

Câmara dos Deputados sai minúscula da PEC da Blindagem, que acordou a população e deu fôlego para a esquerda

Nesta quarta-feira, CCJ do Senado Federal rejeitou a matéria por unanimidade; texto foi aprovado na Câmara dos Deputados na última semana

Texto foi rejeitado por unanimidade
Texto foi rejeitado por unanimidade Foto : Geraldo Magela/Agência Senado/CP

Como prometido e esperado, a PEC da Blindagem foi enterrada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A aprovação do parecer contrário do relator, senador Alessandro Vieira (MDB), na Comissão de Constituição e Justiça, foi unânime. Palco da rejeição da PEC, a reunião da CCJ foi marcada por uma enxurrada de recados, não apenas para a opinião pública, mas também para a Câmara dos Deputados.

Com maioria expressiva, a Câmara aprovou o combo da blindagem e do voto secreto em uma só tacada na última semana. Tão absurdo quanto as votações em si, com o discurso de que há no Brasil uma caça às bruxas judicial, foi a crença dos deputados federais, de que o Senado respaldaria o retrocesso e que a opinião pública ficaria inerte. Nem uma coisa nem outra se confirmou.

Antes mesmo das mobilizações que ganharam às ruas do país, no domingo, a investida da Câmara, quase que de imediato, ficou entre os temas mais comentados nas redes sociais. A Casa, que saiu minúscula e desgastada do episódio, foi apelidada pelos internautas de “Sindicato do Crime”. Em sua manifestação, o relator mencionou os atos de domingo contra a PEC e disse que não se sustenta em fatos a narrativa de que a atividade parlamentar está sendo cerceada no Brasil.

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“Aqui, nesta fileira, seguramente todos já proferiram discursos duríssimos com relação a decisões de ministros, a condutas de ministros, e nenhum dos que está aqui sentado responde a processo por isso. Nenhum! Nem aqui, nem na outra Casa”, disse Alessandro Vieira.

Além do desgaste e de ter exposto sua face mais nefasta, pequena e corporativista, a Câmara conseguiu indignar e levar às ruas parte da população que estava anestesiada e deu fôlego à esquerda, que há meses ensaiava mobilizações sem adesões expressivas, e que vinha assistindo a atos mais bem sucedidos promovidos pela direita e por bolsonaristas.