Taline Oppitz

Começo do cumprimento das penas traz certo alívio para Jair Bolsonaro

Ministro Alexandre de Moraes optou por manter ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal; Papuda agora está fora de cogitação

Ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão
Ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão Foto : Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

Com o trânsito em julgado do processo da tentativa de golpe de Estado, relativo ao núcleo central, declarado pelo ministro relator, Alexandre de Moraes, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começa a cumprir, efetivamente, a pena de 27 anos e três meses de prisão. O desfecho ocorreu oito meses após a apresentação da denúncia pela Procuradoria-geral da República.

Uma das situações que causava apreensão no clã Bolsonaro e entre aliados do ex-presidente, não se concretizou e foi motivo de alívio: Moraes decidiu pela manutenção da prisão de Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, onde está desde sábado, por ter violado a tornozeleira eletrônica.

Veja Também

O principal temor era de que o ex-presidente fosse enviado para a Papuda. Em mais de um episódio, Moraes já mostrou que não teme polêmicas, tampouco comprar brigas políticas, mas neste caso, prevaleceu o bom senso. Além da inevitável comparação que seria feita com a situação de Lula, que ficou mais de 500 dias preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, enviar Bolsonaro para cumprir a pena na Papuda, deflagraria comoção e reação de militantes fiéis e daria margem para a exploração política, por líderes bolsonaristas, em torno das condições de saúde do ex-presidente.

Com o trânsito em julgado, integrantes do núcleo central que estavam em liberdade foram presos, casos, por exemplo, dos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, e do almirante Almir Garnier, que cumprirão suas penas em instituições militares.

Aposta equivocada

Lideranças bolsonaristas estão pressionando para que avance, no Congresso, a proposta de anistia ampla, geral e irrestrita. O ambiente atual não é favorável, mas mesmo que a iniciativa fosse aprovada, certamente teria como destino o Supremo Tribunal Federal.

A melhor chance de melhorar a situação de Bolsonaro, por que, na prática, é disso que se trata, é a aprovação do texto da dosimetria, que pode levar à redução da pena de 27 anos e três meses imposta ao ex-presidente.