Taline Oppitz

Enchentes como a de 2024 podem se tornar até cinco vezes mais frequentes, diz estudo

Levantamento da ANA mostra o cenário desafiador da Região Sul do Brasil, após os eventos climáticos no Rio Grande do Sul

Enchente de 2024 provocou destruições em diversas cidades do Rio Grande do Sul
Enchente de 2024 provocou destruições em diversas cidades do Rio Grande do Sul Foto : Ricardo Giusti

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançou, nesta quarta-feira, a publicação “As Enchentes no Rio Grande do Sul – Lições, Desafios e Caminhos para um Futuro Resiliente”. O documento traça um diagnóstico técnico-científico sobre a tragédia que castigou o Estado no ano passado.

“As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024 representaram um dos eventos hidrológicos extremos mais devastadores já registrados no Brasil, com chuvas de intensidade, duração e abrangência sem precedentes”, diz o primeiro parágrafo da introdução.

As informações, divulgadas um ano após a tragédia, escancaram os desafios que temos pela frente. Segundo a publicação, a mudança climática, em função da atuação do homem, pode tornar episódios como o das chuvas de abril e maio de 2024, duas vezes mais prováveis, aumentando ainda a intensidade das precipitações em cerca de 6% a 9%.

E as más notícias não param por aí. O estudo destaca que o Sul do Brasil é a região com maior projeção de aumento de cheias, com estimativas de ampliação de até 20% da magnitude das vazões.

As ocorrências de cheias extremas também devem se tornar até cinco vezes mais frequentes na região. Portanto, eventos extremos, que eram considerados raros, ocorrerão dentro de períodos cada vez menores.

Além do diagnóstico sobre fatores que contribuíram para a tragédia, e seus desdobramentos humanos, ambientais e econômicos, o estudo aponta iniciativas que precisam ser observadas no processo de reconstrução do Estado.

Entre elas, a adoção de critérios hidrológicos mais críticos para adaptação à mudança climática, a realização de reassentamentos, mapeamento de riscos e infraestrutura híbrida. O levantamento destaca ainda como essencial um monitoramento hidrometeorológico mais robusto e inteligente, ampliando a cobertura e extinguindo lacunas, e a elaboração de projetos que sejam facilmente adaptados, considerando que os riscos passam por constantes transformações.

Veja Também