Apesar dos desafios impostos pelas estiagens recorrentes no Rio Grande do Sul, o cooperativismo agropecuário segue mostrando força e capacidade de reação. A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro/RS) representa hoje 29 cooperativas, responsáveis por cerca de 90% do movimento econômico do setor no estado. À frente da entidade, o presidente Paulo Pires destaca a importância da organização para defender pautas específicas do agro.
“Temos orgulho de representar cooperativas que são protagonistas do desenvolvimento rural. O crédito rural, por exemplo, exige uma abordagem diferente das demais áreas, e é por isso que a federação existe: para defender os interesses do setor agropecuário com voz própria”, afirma Pires.
O dirigente observa que, mesmo com a tendência global de fusões e diminuição no número de cooperativas, a participação do cooperativismo na economia do estado vem crescendo. Em 2024, o setor registrou alta de 2,5% no faturamento, além de aumento no número de funcionários e no patrimônio líquido das cooperativas.
A verticalização da produção tem sido uma estratégia importante. Um exemplo recente é o anúncio da Solis, indústria de esmagamento de soja que está sendo implantada em Cruz Alta com o investimento de três cooperativas. “Esse tipo de iniciativa mostra que estamos avançando na industrialização, mesmo diante de adversidades”, diz Pires.
No entanto, o cenário climático preocupa. O Rio Grande do Sul enfrenta o impacto de três estiagens severas nos últimos anos (2022, 2023 e 2025), o que comprometeu seriamente a capacidade de endividamento e plantio dos produtores.
“Se não houver uma política pública de alongamento das dívidas, muitos agricultores não conseguirão plantar na próxima safra. Isso afeta não só a economia agropecuária, mas toda a economia gaúcha”, alerta o presidente da FecoAgro.
Outro ponto de atenção é a irrigação. Segundo Pires, o cooperativismo tem liderado projetos importantes, principalmente na região das Missões, onde a seca é mais grave. Ainda assim, entraves burocráticos dificultam a ampliação do armazenamento de água. “Avançamos com o governo, mas ainda há muito a fazer para facilitar investimentos em irrigação e conservação do solo”, comenta.
Com foco em sustentabilidade, a FecoAgro também investe em projetos como o “365”, liderado pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), que busca melhorar a capacidade do solo em armazenar água e resistir aos períodos de seca. “O problema não é a falta total de chuva, e sim sua má distribuição. Trabalhar o solo para que ele retenha água é essencial para garantir a produção”, conclui Pires.