Especial

Opção para quem procura sossego no Litoral Norte

Clubes do Litoral Norte se reinventam para atrair moradores e veranistas

Foto : Pedro Piegas / CP Memória

Um ambiente familiar, longe da multidão da orla da praia, com infraestrutura de qualidade para praticar esportes, um local privativo para eventos ou para descansar à beira da piscina. Os clubes do Litoral Norte seguem ativos na região, oferecendo estruturas como quadras de tênis, futebol e esportes de areia, piscinas, espaços para eventos e academias para moradores e veranistas que buscam sossego durante o ano todo.

Com uma longa trajetória, eles precisam, a todo momento, se reinventar. A multiplicação de condomínios de alto padrão na região retirou parte do público e trouxe um desafio a mais. As diretorias tentam driblar as dificuldades oferecendo boas estruturas e um ambiente para o encontro de amigos e a reunião de familiares. Além disso, apostam na criatividade, com novas fontes de recursos, como o aluguel de espaços comerciais.

Entre as atrações da SAT, há piscina, academia, ginásio poliesportivo e playground infantil | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Tramandaí

Na avenida da Igreja, uma das principais da cidade, está localizada a sede da Sociedade Amigos de Tramandaí (SAT). O local tem piscina, academia, ginásio poliesportivo, campo de futebol sete, sala de jogos, playground infantil e espaços para eventos. O clube completou 81 anos de história em fevereiro e conta com cerca de mil associados titulares e mais mil dependentes, resultando em 2,1 mil pessoas aptas a frequentá-lo.

O diretor de esportes da SAT, Leonardo Pacheco, destaca a recente reforma do ginásio de esportes e a variedade de eventos esportivos realizados no local. “A gente tem confrarias que se reúnem aqui. Tem uma confraria para homens na cozinha e outra especializada em confraternização esportiva.” A diretora social e cultural, Marion Becker, afirma que o clube também promove eventos culturais, como o tradicional carnaval infantil. Além disso, há celebrações com queijos e vinhos.

O presidente do conselho deliberativo da SAT, Flaito Consul, explica que o quadro associativo é formado, em sua maioria, por moradores de Tramandaí, Imbé e região. Ele conta que o processo de modernização, com o incremento de novos atrativos ao clube, ocorreu em meados de 2013. “Na época, as pessoas vinham muito mais pelo social, mas se percebeu ao longo dos anos a necessidade de incrementar outras atividades para o clube ter atrativos para os associados fazerem daqui a sua segunda casa”, afirma.

O clube funciona o ano inteiro e, durante o verão, abre também aos domingos. A aposta dos diretores é justamente no ambiente familiar. “As pessoas que moram na região vêm para a SAT para as mais diversas demandas. Tem quem vem tomar chimarrão no final da tarde para o filho brincar no playground. A gente tem a escolinha de futsal: os pais trazem os filhos, deixam aos cuidados dos professores e vão aproveitar o clube com outras atividades ou ficam tomando chimarrão. A gente consegue dar essa segurança, esse ambiente familiar para todo mundo”, completa Pacheco.

Na Saba, a sede social com piscina e salão para eventos é espaço de covivência entre associados | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Xangri-Lá

Na avenida Central de Xangri-Lá, ponto que reúne restaurantes e bares famosos, está a Sociedade dos Amigos do Balneário de Atlântida (Saba). A sede social do clube tem piscina e um amplo salão para eventos. Próximo dali, fica a sede campestre. Palco de festivais de música, o espaço conta com quadras de tênis, campos de grama sintética e natural e quiosques com churrasqueiras.

O presidente da Saba, Gabriel Saibro, conta que o clube completou 64 anos em fevereiro com o tradicional luau em comemoração. Também é tradição do veraneio o carnaval infantil e um jantar de cozinheiros promovido na sede social. Diferentemente de outros clubes, a maioria dos frequentadores da Saba é formada por veranistas, com destaque para o público com mais de 60 anos. “Somos um clube de verão, a gente tem esse lema. Mas, de qualquer forma, temos bastante — cerca de 40% — moradores do Litoral. Eles ocupam o nosso espaço por causa das quadras de tênis, que são muito boas, são quadras abertas. Os tenistas também são uma grande parte dos sócios”, afirma.

No entanto, na última década, apesar do aumento populacional no litoral após a pandemia de Covid-19, a multiplicação de condomínios de alto padrão, principalmente às margens da RS 389 (Estrada do Mar), tem diminuído o protagonismo dos clubes. “Com toda a infraestrutura que existe nos condomínios, o clube acaba sendo uma opção quase obsoleta para a grande maioria. Nós temos atualmente 196 sócios. É um número bem reduzido”, revela Gabriel.

Diante desse cenário, o presidente da Saba também destaca o aspecto familiar como diferencial. “Você agrega amigos, é um clube social. Existem outros tipos de atividade, de lazer. O clube acaba trazendo mais amizades. No condomínio você tem vizinhos; aqui não, aqui tu conheces muitas pessoas, pessoas bem legais, é um bom espaço”, ressalta.

A Saac oferece diversos tipos de quadras para práticas esportivas, como têsnis, futebol e futebol sete | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Capão da Canoa

Bem no centro de Capão da Canoa, na avenida Paraguassu, está a sede da Sociedade Amigos de Capão da Canoa (Sacc). Com 79 anos, o clube nasceu ainda antes da emancipação da cidade, ocorrida em 1982. Atualmente, são aproximadamente 3 mil pessoas entre associados, dependentes e agregados que frequentam o espaço.

Na sede social, há piscina térmica e ao ar livre, sauna, quadras de tênis, espaço para eventos e academia. Já a sede campestre, às margens da Estrada do Mar, tem campos de futebol e de futebol sete, além de quadras de areia, vestiários e quiosques com churrasqueiras. A Sacc também oferece aulas de karatê, ioga, pilates, natação e hidroginástica como atrativo aos associados.

O presidente Marcelo Ramos conta que o clube foi fundado por veranistas, mas, com o passar do tempo, essa característica mudou. “Hoje 90% dos associados são moradores de Capão da Canoa. Mas a gente recebe muita gente que não é associada, que vem apenas para a temporada e acaba pagando as diárias, consumindo a mensalidade na integralidade e usufruindo do clube nesse período”, destaca Ramos.

O presidente avalia que os veranistas têm permanecido por períodos mais longos no Litoral, o que aumenta a procura por atrações diferentes. “Eles acabam optando por ter uma alternativa à beira da praia. Porque sabemos que sofremos muito com o vento, que acaba tirando as pessoas da beira da praia. Nas nossas dependências é tudo cercado, a gente consegue agradar quem não gosta muito de vento. Hoje a gente tem um público 30+, que é a grande maioria dos nossos associados”, comenta Ramos. Além disso, o clube investe em atrativos para as crianças se divertirem, como forma de fidelizar os pais.

Na parte financeira, o momento mais complicado foi durante a pandemia, quando o número de associados adimplentes caiu para cerca de 40. Mesmo assim, “não fechamos as portas em nenhum momento”, afirma o presidente. Após o período mais crítico, o público voltou e as contas foram equilibradas. Além da mensalidade dos associados, a Sacc possui sete espaços comerciais alugados por empreendedores de diferentes segmentos, o que ajuda a manter os custos do clube.

Ramos admite que a multiplicação de condomínios na região compete com a estrutura do clube, mas aposta na manutenção do público que mora em apartamentos sem tantos atrativos. “Capão da Canoa é vasta em condomínios verticais e a grande maioria deles ainda não possui piscina, não possui toda essa estrutura”, afirma. Na definição do presidente, a Sacc é um clube para aqueles que desejam fugir do som alto, da aglomeração e do agito na beira da praia.

Um dos associados mais fiéis é o professor e radialista Angelo Gallardo, 66 anos. À beira da piscina, o morador de Capão da Canoa revela que é sócio há cerca de 30 anos e tem longa relação com o clube. “Eu vi praticamente esse clube evoluir, crescer. E hoje é um prazer a gente estar aqui e desfrutar do lazer que oferece. Porque não é apenas a piscina, são os jogos, os diversos espaços que a gente tem aqui. Para ter uma ideia, eu aqui casei o meu filho, fiz os 15 anos da minha filha. Tenho uma história aqui”, conta.

Angelo afirma que é morador do Litoral há 40 anos e reside a quatro quadras da praia. Diz que frequenta o clube com regularidade, pois está acostumado e não gosta da aglomeração e do vento da orla. Na Sacc, ele relaxa. “Quando sobra aquele horário de lazer, a gente vem para cá. Porque, além de encontrar e reencontrar velhos amigos, pessoas queridas, temos a oportunidade de curtir essa piscina e tudo o que a Sacc oferece”, elogia.

Com 90 anos de história , a Sapt conta atualmente com 3 mil associados e funciona o anto todo | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Torres

Na Praia dos Molhes, em Torres, antes de chegar à orla do rio Mampituba, está localizada a sede da Associação dos Amigos da Praia de Torres, a Sapt. O clube é um dos mais antigos do Litoral Norte, com 90 anos de história. Fundado por veranistas que desejavam melhorar a vida em Torres, a Sapt conta hoje com um amplo espaço com quadras de tênis de saibro e piso duro, ao ar livre e cobertas, quadra de pickleball, quadras de areia, campo oficial de futebol sete, piscina semiolímpica térmica com acessibilidade e academia. Também há aulas de balé, patinação, hidroginástica, fisioterapia e natação.

O clube possui cerca de 3 mil associados e funciona durante o ano todo. O presidente do conselho deliberativo da Sapt, Luis Felipe Grazziotin, afirma que o número de sócios tem aumentado nos últimos anos e credita o fato ao crescimento populacional da cidade. “É um clube bastante eclético. Nós temos tanto aqueles mais jovens que procuram o clube porque querem desfrutar do beach tennis, que ainda está em alta, ou praticar tênis, ou o próprio pickleball, assim como pessoas mais velhas que também praticam tênis e fazem hidroginástica. Então, hoje temos uma procura muito diversificada; a faixa etária vai dos 20 aos 70 anos”, comenta.

Ele também afirma que o movimento nas dependências do clube é intenso em outras épocas do ano. “Antigamente você procurava um clube social para sentir aquele pertencimento, de fazer parte de uma comunidade específica. Hoje as pessoas entendem o clube mais como um prestador de serviços. Eu vou me associar por quê? Porque o clube tem uma piscina muito boa, com raias, blocos, é aquecida e tem cadeira de acessibilidade. Ou porque quero jogar tênis e lá tem professor. Ou porque meu filho quer jogar futebol”, avalia Grazziotin.

Grazziotin revela que começou a frequentar a Sapt aos dez anos de idade, pois seu pai já era sócio. Desde então, já foi dependente, sócio, presidente do conselho diretor e do conselho deliberativo. Ao longo do tempo, percebeu que a autossustentabilidade do clube é essencial para a manutenção das atividades. Por isso, afirma que, apenas com a mensalidade dos associados é inviável manter os custos. Assim, a Sapt aluga seus salões, restaurantes e o quiosque à beira do rio para eventos. Além disso, possui espaços comerciais no centro de Torres que também são alugados, totalizando nove aluguéis fixos. “Isso nos dá renda suficiente para conseguir manter o clube sempre crescendo e oferecendo os melhores serviços dentro das possibilidades que nós temos”, afirma.

👉🏼Mais informações

SAPT

  • Instagram: @sapttorres
  • Site: www.sapttorres.com
  • Fone: (51) 3664- 1221

SAT

  • Instagram: @sattramandai
  • Site: www.satclub.com.br
  • Fone: (51) 3661-1100

SABA

  • Site: www.saba-rs.com.br
  • Instagram: @sabaatl
  • Fone (51) 3225-1526

SACC

  • Instagram: @clubesacc
  • Fone: (51) 98114-4682

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