Uma parceria entre a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) vem transformando os produtores familiares em protagonistas da conservação ambiental. Iniciado em 2018, o Projeto de Recuperação de Biomas envolveu 438 propriedades rurais e já promoveu a recuperação de um total de 2,1 mil hectares de áreas degradadas no Bioma Pampa, a partir da adoção de técnicas adequadas de manejo. Os resultados foram apresentados em julho pelo Comitê Gestor Estadual do Plano ABC+ RS, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), com a participação de 32 representantes de entidades públicas e privadas.
De acordo com a Seapi, o projeto foi motivado por dados considerados alarmantes sobre o Pampa gaúcho, como a redução de 4 milhões de hectares de área entre 1985 e 2021 – de 18,2 milhões de hectares para 14 milhões de hectares. Para mudar esse cenário, foram propostas ações de assistência técnica a produtores, com o objetivo de converter em áreas de pastagens recuperadas a chamada reposição florestal obrigatória (RFO) – compensação pela extração de vegetação decorrente de obras de utilidade pública realizadas por empresas, como Corsan, RGE e Fraport.
Em cada propriedade participante do projeto, é selecionada uma área de cinco hectares para as ações de conservação, explica o engenheiro agrônomo Adrik Richter, da Fetag-RS. Os agricultores, então, são orientados por um profissional habilitado e recebem visitas de acompanhamento. “Ele recebe todos os insumos necessários para fazer as ações de manejo conservacionista, como ajustar a carga animal, corrigir o pH do solo, para melhorar as condições para as plantas nativas sobreviverem e muitas delas voltarem a existir naquele espaço”, detalha Richter.
Segundo o agrônomo, os 2,1 mil hectares recuperados equivalem a 800 mil mudas compensadas em RFO. Na segunda fase, o projeto deve atingir 1,5 milhão de mudas, abrangendo mais de 3 mil hectares de áreas. “Já temos em execução três projetos, com 168 beneficiários. E mais seis projetos em regiões distintas do Estado aos quais a gente vai dar continuidade”, afirma Richter.
Em nota, o coordenador do Comitê Gestor Estadual do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante, destacou que o projeto é uma referência para o Plano ABC+RS em recuperação de pastagens em áreas degradadas – uma das oito tecnologias relacionadas ao plano. “Nosso objetivo é compartilhar esta proposta com as diversas entidades que também trabalhem (com) este tema para construirmos projetos ainda maiores”, disse Brilhante, que é engenheiro florestal do Departamento de Desenvolvimento e Pesquisa Agropecuária da Seapi.
As metas do governo gaúcho para o Plano da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC+ RS) foram lançadas em abril deste ano. A ação inclui diretrizes para promover a adaptação à mudança climática e o controle das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária gaúcha, visando ao aumento da eficiência e à resiliência dos sistemas produtivos, de acordo com a Seapi.