Copa do Mundo

Entre vikings e a mistura de povos, Brasil coloca sua história à prova nas oitavas da Copa

Seleção enfrenta a Noruega de Haaland e Odegaard neste domingo, em Nova Jersey, em duelo eliminatório que vale vaga nas quartas de final e pode encerrar o sonho de um dos dois países no Mundial

Vini Jr. e Matheus Cunha são as principais esperanças ofensivas do Brasil contra a Noruega
Vini Jr. e Matheus Cunha são as principais esperanças ofensivas do Brasil contra a Noruega Foto : MAURO PIMENTEL / AFP / CP

De um lado, os herdeiros dos vikings, povo que atravessou mares em embarcações lendárias e cuja bravura ainda é celebrada pelos torcedores noruegueses nas arquibancadas com o tradicional movimento de remada. Do outro, um país forjado pelo encontro de povos, pela mistura de etnias, culturas e tradições que transformou a diversidade em identidade nacional e também na essência de um futebol admirado em todo o planeta. É o encontro de duas histórias muito diferentes que se cruzam neste domingo, a partir das 17h, em Nova Jersey, quando Brasil e Noruega disputam uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo.

Nas oitavas de final, porém, símbolos e tradições cedem espaço à realidade do mata-mata. Não há segunda chance ao derrotado. Quem vencer seguirá alimentando o sonho do título. Quem perder embarcará de volta tomando o rumo de casa. Para os brasileiros, acostumados a enxergar a Seleção como candidata natural ao hexa, uma eliminação tão cedo seria encarada como uma frustração de enormes proporções.

Se a Noruega leva ao gramado a força física e a disciplina que marcaram sua identidade ao longo dos séculos, também apresenta uma geração capaz de colocar o país entre as principais seleções do mundo. O principal nome é Erling Haaland, um dos maiores goleadores da atualidade, acompanhado pelo refinamento técnico de Martin Odegaard. Juntos, o centroavante do Manchester City e o meia do Arsenal simbolizam uma equipe que alia vigor físico à qualidade com a bola nos pés, principalmente no ataque.

O Brasil responde com uma tradição incomparável. Pentacampeã mundial, a Seleção construiu sua história a partir de diferentes gerações de craques e de um estilo de jogo moldado justamente pela diversidade que caracteriza o país. A criatividade, a improvisação e a capacidade de transformar diferentes influências em um futebol único continuam sendo marcas de uma equipe que busca escrever mais um capítulo de sua trajetória nas Copas. Começou desacreditada, mas começou a ganhar a confiança dos torcedores, principalmente após a vitória de virada sobre o Japão na última segunda-feira.

Para Carlo Ancelotti, entretanto, o desafio ganhou um ingrediente extra. O treinador italiano não poderá contar com dois titulares importantes. Lucas Paquetá sofreu um problema muscular durante a vitória sobre o Japão e está fora. Raphinha, lesionado há mais tempo, também permanece sendo desfalque.

As ausências obrigam o comandante a buscar alternativas. A principal delas é Danilo Santos, que deixou boa impressão nos amistosos preparatórios para a Copa do Mundo e vive grande momento no Botafogo. Com capacidade de organizar o meio-campo e chegar ao ataque, ele desponta como o favorito para ganhar espaço entre os titulares, embora Ancelotti tenha outras opções. Outra é Gabriel Martinelli, que marcou o gol da vitória sobre o Japão e tornaria o time mais ofensivo.

Se os noruegueses chegam inspirados pelo espírito destemido dos vikings, os brasileiros entram em campo sustentados por uma história construída na superação e em uma tradição que fez da camisa amarela a mais vitoriosa do futebol mundial. No mata-mata, porém, nem lendas nem conquistas passadas entram em campo. Apenas um dos dois seguirá navegando rumo ao título.

COPA DO MUNDO – OITAVAS DE FINAL

Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Danilo Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Danilo Santos (Gabriel Martinelli); Rayan, Matheus Cunha e Vini Jr.. Técnico: Carlo Ancelotti.

Noroega: Nyland; Aursnes, Ajer, Heggem e Wolfe; Odegaard, Berge, Berg e Sorloth; Nusa e Haaland. Técnico: S. Solbakken.

Arbitragem: Ismail Elfath, auxiliado por Corey Parker e Kyle Atkins (trio dos EUA). Local: MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA). Início: 17h (horário de Brasília).

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