O empate em 0 a 0 entre Inglaterra e Gana, no Estádio de Boston, terminou em polêmica nos bastidores da Copa do Mundo de 2026. O técnico de Gana, Carlos Queiroz, acusou o meia inglês Jude Bellingham de proferir insultos obscenos durante a partida. O jogador do Real Madrid envolveu-se em uma discussão acalorada com atletas e comissão técnica ganenses no intervalo, após empurrar Jerome Opoku no primeiro tempo — lance em que a seleção africana exigiu cartão amarelo.
"Em momentos de grande tensão emocional, essas coisas são normais. Bellingham xingou e isso aumentou a tensão, mas depois nos acalmamos. Futebol não é dançar em um salão de baile de smoking", minimizou o treinador português de 73 anos, que comandou o Real Madrid na temporada 2003-2004.
Morgan Rogers, amigo próximo de Bellingham, interveio para conter o colega no tumulto. Bellingham também apresentou sua versão sobre o desentendimento. "Foi logo depois de uma falta boba que eu fiz, uma entrada absurda. Me deixei levar um pouco e acabei acertando o cara. Conversei com ele depois, e o banco deles se levantou exigindo amarelo. No fim, foi só competitividade", explicou o jogador, acrescentando ter muito respeito por Queiroz, a quem associou historicamente ao Manchester United.
A polêmica da "Lei Vinicius" e o suposto duplo padrão
O episódio ganhou contornos políticos devido ao gesto de Bellingham de cobrir a boca com as mãos durante uma conversa com o ganês Jordan Ayew. A imagem gerou indignação internacional e acusações de duplo padrão na arbitragem, dias após o paraguaio Miguel Almirón ter sido expulso contra a Turquia por conduta semelhante. O Paraguai estuda apresentar uma queixa formal à FIFA.
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Aprovada em 28 de abril de 2026 pela FIFA e pela IFAB, a chamada "Lei Vinicius" surgiu após o presidente da FIFA, Gianni Infantino, pressionar por punições severas decorrentes do caso de Gianluca Prestianni (Benfica), suspenso por seis jogos pela UEFA após ofensas contra Vinícius Jr. (Real Madrid) na Liga dos Campeões. A nova regra prevê cartão vermelho direto para o atleta que cobrir a boca durante uma disputa ou confronto agressivo com o adversário.
Antes do Mundial, o chefe de arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, detalhou a norma: os jogadores podem tapar a boca em conversas amistosas ou com companheiros de equipe, mas o gesto é estritamente proibido em contextos hostis. "Esta regra é sobre respeito. Se você não tem nada a esconder, não cubra a boca ao falar com alguém", reforçou Infantino na última terça-feira.
Os critérios da FIFA: Almirón x Bellingham
A diferença nos vereditos dos dois lances gerou debate. Segundo análise da BBC, Almirón foi expulso pelo árbitro Iván Barton após o VAR flagrá-lo cobrindo a boca para falar com Mert Muldur em meio a uma confusão generalizada entre Paraguai e Turquia. Devido ao cartão vermelho direto, Almirón cumprirá suspensão automática contra a Austrália, na rodada decisiva.
No caso de Bellingham, o árbitro Said Martinez e o VAR decidiram não intervir porque não havia animosidade ou empurra-empurra no momento do diálogo com Ayew. O caso ilustra a ampla margem de interpretação que a nova regra deixa a cargo da equipe de arbitragem de campo.