A 15 mil quilômetros de distância do Brasil, milhões de pessoas vestem com orgulho a camisa amarela da Seleção Brasileira. Apesar de nunca ter participado de uma Copa do Mundo, Bangladesh vive a cultura do futebol, e fãs do esporte encontraram no Brasil uma forma de extravasar essa paixão.
“É difícil dizer quantos, exatamente, são [torcedores da Seleção Brasileira], mas acredito que estejamos na casa dos milhões de fãs em Bangladesh”, estima o estudante Ariful Islam Rana. “Durante a Copa do Mundo você consegue ver pessoas se reunindo para ver os jogos e camisetas e bandeiras do Brasil em praticamente todos os distritos do país.”
Mas a Seleção não é a única que coleciona fãs no país. A Argentina também conta com muitos torcedores em Bangladesh, o que replica a rivalidade vivida na América do Sul. “Nós também temos fãs de Portugal, da Alemanha, da França e da Espanha, mas são grupos pequenos comparados aos torcedores do Brasil e da Argentina.”
Arif conta que foi justamente essa rivalidade que levou a criar a página CBF Bangladesh, no Instagram. Em pouco menos de um mês, o perfil já soma mais de 65 mil seguidores. “Eu via muitas páginas dedicadas à Argentina em outros países, inclusive aqui em Bangladesh, mas não tínhamos nenhuma para fãs do Brasil aqui no país. Quis criar a página para mostrar a paixão dos fãs aqui de Bangladesh pela Seleção Brasileira.”
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“As pessoas chegam a brigar na rua, principalmente nas áreas mais rurais, onde a rivalidade é maior”, relata o fotógrafo Anirban Kaisan. “Os fãs são tão competitivos que eles chegam a fazer competições de decoração ou de quem tem mais bandeiras expostas em determinada área. Tem gente que até pinta suas casas nas cores da bandeira ou faz outras loucuras do tipo.”
Uma paixão que atravessa gerações
Anirban tinha apenas 10 anos e pouco conhecimento de futebol quando tomou uma importante decisão. Em uma casa dividida entre torcedores de Brasil e Argentina, Anirban escolheu a Amarelinha. “Eu ganhei uma bandeira e descobri o Kaká, comecei a torcer pelo Brasil desde então. Cheguei a acompanhar o futebol de clubes e virei um grande fã do Neymar.”
Mesmo sem ter visto o auge de ídolos como Pelé, Ronaldo e Ronaldinho (ele começou a acompanhar a Seleção também em 2010), o fotógrafo diz ter se sentido inspirado por suas histórias.
“A geração do meu avô torceu pelo Pelé, a geração do meu pai torceu pelo Ronaldo e pelo Ronaldinho”, explica. “Mas a febre cresceu muito no início dos anos 90. Naquela época, poucas casas tinham televisão, então as pessoas se reuniam para assistir aos jogos e celebravam juntas.”
Para Anirban, mesmo que Bangladesh se classificasse para o Mundial, as pessoas no país não abandonariam suas “seleções do coração”. “Nosso povo sonha em ver Bangladesh em uma Copa do Mundo. Mas, mesmo se Bangladesh se classificar para a próxima Copa, as pessoas vão torcer também para o Brasil junto com nossa seleção nacional. Eu torço desde criança, e as pessoas aqui amam a Seleção cegamente.”