Poucos minutos na estreia no Gre-Nal do segundo turno do Brasileirão do ano passado foram suficientes para perceber de fato se tratar de um jogador diferente. Willian participou de dois dos três gols da vitória gremista por 3 a 2 no Beira-Rio, resultado emblemático no processo de reação do time na competição.
Porém, mal deu tempo de esquentar o debate sobre onde ele poderia acrescentar mais no esquema de Mano Menezes. Uma lesão no tornozelo duas partidas depois o afastou por um bom período, retornando apenas nas rodadas finais.
O aproveitamento do meia-atacante de 37 anos, combinado com a chegada agora de Tetê, outro jogador polivalente, reacende - e por que não duplica - o debate. Onde Luís Castro deverá usar o nome mais experiente do grupo gremista?
"Ele joga nos três lugares, é fácil. Joga pela direita, joga pela esquerda e joga por dentro. Isso é fácil. Difícil é botar (jogador) ruim. O bom, sempre nós damos um jeitinho", brincou Mano quando perguntado a respeito ainda em 2025.
Quem trabalha ou trabalhou com Willian dentro ou fora de campo enaltece a simplicidade, o trato pessoal e o cuidado com a profissão. Em 2004, ainda com 15 anos, foi chamado para completar treino no Corinthians, onde já era uma das revelações da base. Tempos depois, a mesma comissão que deu a chance para aquele menino, o reencontrou vestindo a Amarelinha.
"Taticamente, vejo ele por fora e não armando por dentro, encostando no 9. Ele fez muito com a gente a construção por fora e descendo os 80 metros defendendo. Isso está no DNA dele, mas ofensivamente, que é a finesse dele", atesta Cléber Xavier, auxiliar de Tite na Seleção Brasileira.
Mais de uma década na Europa, a maior parte na Inglaterra vestindo as camisas principalmente do Chelsea e depois Arsenal, deu a Willian um maior entendimento de jogo e da carreira. Por isso, antes de completar 38 anos em agosto, se espera muito dele no Grêmio. Não só pelo que fez longe daqui, mas pelo que sinalizou ainda poder entregar.
"Acho que pelo meio pode ser melhor para ele e para o time, por poder aproveitar a experiência dele e o momento de carreira num papel em que a criatividade é fundamental. Mas, obviamente, isso depende muito mais do que ele próprio entende e se sente melhor fazendo", diz André Kfouri, comentarista dos Canais ESPN.
Antes de decidir "dar uma nova oportunidade" ao Brasil, Willian viveu uma experiência desagradável no clube que o revelou. Com a família ameaçada em São Paulo, arrumou as malas de novo para a terra do Rei, e trocou o Corinthians pelo Fulham. Foi onde conheceu Carlos Vinícius, atual companheiro no Grêmio e peça importante no convencimento de encarar um novo desafio a esta altura da carreira.
No Tricolor, ele tem a torcida de outro colega de vestiário e que conhece bem a aldeia. Ramiro, hoje no futebol dos Estados Unidos, conviveu pouco tempo com Willian no Corinthians, mas garante: "Tecnicamente, ele é muito bom. Acho que na ponta esquerda é melhor porque ele tem o 1x1 muito fácil".
A torcida do Grêmio vive a expectativa de ver Willian jogar mais. Foram apenas seis jogos, a metade como titular. Com ele o time derrotou Inter, Palmeiras, Vitória e Sport, perdeu para o Fluminense e empatou com o Botafogo.
Não foi em todos esses jogos que ele repetiu o posicionamento, dando margem à discussão. Se antes Mano tinha um "problema" para escolher o melhor lugar para aproveitá-lo, Castro terá dois, pois além de Willian, Tetê está prestes a desembarcar.