O vice-presidente do Grêmio, Adalberto Preis, participou nesta segunda-feira de uma audiência na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado sobre o racismo no futebol. Mais uma vez, o dirigente afirmou que quiseram imputar a responsabilidade e a característica de racista ao clube.
Preis lembrou que o Grêmio é o único clube do Brasil que tem estatutariamente uma estrela dourada em sua bandeira, representando o jogador negro Everaldo, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1970. Além disso, acrescentou, que o autor do hino do clube é um negro: Lupicínio Rodrigues.
“Eu não tiro nada da importância que foi dada ao fato (racismo contra o goleiro Aranha, em partida na Arena), mas, do ponto de vista da imputação ao clube e em se tratando de uma conduta de poucos torcedores, houve exagero e injustiça”, disse Preis. O dirigente ainda citou que, de um público de 32 mil pessoas presentes no estádio, em 28 de agosto, quatro torcedores foram indiciados em inquérito policial e denunciados à Justiça.
Por outro lado, o advogado Ronaldo Ferreira Tolentino, da Comissão Especial de Direito Esportivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), lembrou que a legislação estabelece que o time é o responsável pelas atitudes de seus torcedores em seu estádio. Por este motivo ocorreu à punição à agremiação gaúcha. “O que aconteceu com o Grêmio poderia ter acontecido com qualquer outro clube. O Grêmio não é racista. Mas parte da torcida, num ato infeliz, praticou um crime. E o clube, na alegria ou na tristeza, é responsável pela sua torcida”, afirmou.
O ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência, Carlos Alberto Júnior, informou que o órgão buscou contato com a CBF para aprimorar a campanha "Somos Iguais", de combate ao preconceito, lançada pela entidade esportiva em abril deste ano. Outra proposta analisada foi a criação de uma ferramenta, possivelmente um aplicativo de internet, para que o torcedor denuncie casos de racismo na hora em que ocorrerem, dentro ou fora dos estádios.
“Em 2014, houve cinco casos de racismo no futebol. Então é importante que verifiquemos o que está acontecendo. O combate ao racismo é algo tão importante, que o legislador deu a ele status constitucional. É um crime de potencial ofensivo gravíssimo porque, apesar de não ferir de morte, fere a alma e o orgulho da vítima”, afirmou.
O secretário também chamou atenção para a pouca presença de negros na direção e no comando técnico dos clubes de futebol no Brasil. Deise Benedito, assessora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, entende que os clubes brasileiros devem assumir compromissos pelo fim da discriminação no futebol e defendeu o envolvimento direto deles em ações de responsabilidade social. Uma das sugestões de Benedito é que os times brasileiros adotem em seus uniformes ao longo de novembro, mês da consciência negra, frases contra o racismo.
A audiência foi presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram o diretor Regional dos Consulados do Internacional, Alexandre Santos, e o diretor institucional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Carlos Torves.
Vice-presidente reafirma no Senado que Grêmio foi injustiçado no caso Aranha
Dirigente participou no Senado de audiência na Comissão de Direitos Humanos sobre o racismo no futebol