Não é para qualquer um ser chamado assim. Jogadores muito mais destacados no futebol vestiram a camisa clássica e nem por isso receberam a alcunha do próprio número. Douglas deve ao ex-lateral-esquerdo Fábio Santos o apelido de "10". Em 2010, a amizade construída no Grêmio deu origem ao epíteto ligado à qualidade com a bola nos pés.
Nem sempre, porém, vestir a 10 é sinônimo de consagração. Com ela, desde que Pelé a usou na Copa de 1958, vem o peso. No Grêmio, com a saída de Cristaldo, a camisa está vaga novamente. No time de Luís Castro para o Gre-Nal de domingo, Gabriel Mec, cria da base gremista, pode jogar pela primeira vez o clássico.
"O moleque é bom. Não tem medo de jogar, mas os caras têm que encostar nele para jogar. Ele tem que saber também o lugar para driblar. Mas é bom pra c… esse moleque", opina Douglas, camisa 10 do Grêmio, de rara relação de empatia com a torcida Tricolor.
Com duas passagens pelo clube, em contato com a reportagem do Correio do Povo, o ex-jogador é fã de Alex, do Palmeiras e Seleção Brasileira, seu camisa 10 preferido. Douglas relembra, um a um, todos os nomes que usaram a 10 desde que ele a deixou, machucado, em 2017.
Confira abaixo o que ele pensa dos jogadores:
Cristaldo
“É um cara que tem qualidade. Pode faltar intensidade, mas o esquema não favorece a ele. Às vezes parecia que ele não queria estar no clube, meio desligado das coisas. Não rendeu o que a gente esperou.”
Ferreirinha
“Nunca foi 10. É um jogador de beirada e teve os seus momentos bons. Muitas lesões atrapalharam ele no Grêmio.”
Douglas Costa
“Por tudo que ele falava que queria voltar e queria jogar, se criou expectativa. É um cara que jogou na Europa e em grandes equipes criou expectativa na torcida e na imprensa, mas simplesmente não rendeu. Não jogou o que jogava.”
Jean Pyerre
“Quando eu estava no Grêmio ainda, a gente comentava que era um menino para jogar na Europa pela qualidade que tinha. Passada larga, pensava rápido e finalizava bem. Mas acho que o extracampo atrapalhou ele. Não conseguiu lidar com tudo. Foi o que mais decepcionou porque a gente acreditava de verdade.”
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Thiago Neves
“Um 10 clássico da minha geração. Onde passou foi decisivo e vitorioso. Mas aqui não aconteceu. Aquele elenco também não o favorecia. Foi mais um cara que passou e não conseguiu render. Quem conhece ele das antigas sabe que era um jogador diferenciado.”
Robinho
“Parecido com o Thiago, bem em outros clubes, onde fazia a função de 10. A gente não sabe o que aconteceu. Ficou a desejar e não aconteceu também.”
Felipe Vizeu
“Na verdade, ele nem meia era. Era atacante e acho que tinha camisa sobrando e deram a 10 para ele. Não era da função.”
Cícero
“Também não é da função. Jogou de meia, mas rendia mais como volante jogando de frente. Tinha qualidade, mas não jogava de costas. Foi um cara que teve história no clube com o gol da final da Libertadores.”
Gastón Fernández
“Qualidade ele tinha, mas chegou num time que estava pronto e redondo. E talvez em 2017, com a chegada do Barrios, o esquema mudou um pouco. O Luan caiu mais para meia e estava com muita confiança. Mais um que não deu certo, infelizmente.”