Mesmo abalado pela derrota por 3 a 0 para o São Paulo, na noite de quarta-feira, na Vila Belmiro, Abel Braga não abriu mão de conceder entrevista coletiva. O técnico, que assumiu o Inter no último domingo com a missão de evitar o rebaixamento, ouviu de dirigentes presentes no vestiário a sugestão de não falar. Preferiu enfrentar as câmeras. Aos 73 anos, julgou que permanecer em silêncio seria pior.
“Depende de nós. Temos que ter uma atuação digna. Vai dar? Não sei. Não depende mais de nós. Tem que jogar pela honra. Depois, vai ser chamado de time sem vergonha. Mas nós temos que assumir juntos”, afirmou Abel, que respondeu a todas as perguntas dos jornalistas, apesar de sequer estar recebendo salários para treinar o Inter nos dois jogos finais do Brasileirão.
O treinador encerrou a coletiva assumindo integralmente a parcela de culpa, apesar dos poucos dias de trabalho: “Não importa o tempo que estou aqui e nem o motivo que aceitei vir. Nós tínhamos que fazer mais e não fizemos. Então, a responsabilidade tem que ser minha”.
Enquanto Abel encarou a entrevista, o vice de futebol, José Olavo Bisol, adotou postura diferente. Ele fez apenas um pronunciamento, sem aceitar questionamentos. Lamentou a situação dramática do Inter no Brasileirão, pediu apoio da torcida no jogo final da temporada, domingo, contra o Bragantino, no Beira-Rio, e fez questão de isentar o treinador:
“Nosso ídolo maior não tem nenhuma responsabilidade sobre o momento que vivemos. Mas nos cabe buscar até o último minuto. Vamos buscar uma vitória dentro do nosso estádio. Temos que manter a mobilização e acreditar que ainda podemos reverter essa situação”, declarou o dirigente.