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Bom e barato: reforços devem atender à nova realidade do Inter

Além da capacidade e do perfil, preço é fator determinante nas escolhas dos dirigentes colorados para a temporada

Félix Torres concedeu a sua primeira entrevista nesta segunda-feira
Félix Torres concedeu a sua primeira entrevista nesta segunda-feira Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

Bom e barato. Em tese, para reforçar o Inter neste início de 2026, os jogadores precisam se enquadrar nessas duas características. A primeira, a qualidade, só será atestada com o tempo, de preferência dentro de campo. A segunda, o preço, essa já aparece logo nas primeiras conversas das negociações. É o retrato de um clube que convive com severas dificuldades financeiras, agravadas pela quebra do contrato com o patrocinador master no começo do ano, e que agora tenta fazer da escassez uma virtude.

Até aqui, o Inter confirmou duas chegadas. Paulinho Paula desembarcou há duas semanas sem custo após dois anos e meio no Vasco e pode estrear contra o Inter-SM, amanhã, no Beira-Rio, pelo Gauchão, se ganhar condição legal para jogar. Félix Torres veio por empréstimo de um ano do Corinthians, que seguirá pagando parte do salário do zagueiro. Ambos cabem no orçamento. Se vão caber no time, isso é um debate que ficará para os próximos meses e dependerá da aceitação por parte de Paulo Pezzolano.

O próximo da fila é Rodrigo Villagra, volante do CSKA Moscou. O empréstimo por um ano custará 400 mil dólares, mas caso o argentino atue em pelo menos 60% dos jogos da temporada, o Inter será obrigado a comprá-lo em definitivo por mais 3,6 milhões de dólares. Ou seja, barato agora, potencialmente caro depois, mas somente se tiver uma sequência em campo.

A busca por novos nomes segue o mesmo roteiro, sem grandes disfarces ou tentativas de maquiagem. A palavra “realidade” virou recorrente no Beira-Rio. “Esse ano é de um orçamento bem apertado. Estamos dentro do nosso limite e vamos fazer tudo dentro das nossas possibilidades. Mas vamos ser competitivos. Existe uma oportunidade muito grande e essa camisa é muito pesada. Vamos entregar o que a torcida espera da gente”, afirmou o diretor executivo Fabinho Soldado, antes de apresentar Félix Torres, no início da tarde de ontem.

O tom, que serve de alerta para a torcida, já havia sido adotado pelo vice-presidente Victor Grunberg, que tratou de alinhar expectativa e caixa. “Claro que temos pressa para apresentar os reforços. Mas vamos fazer tudo com responsabilidade, tentando acertar sempre. O jogador que vier vai ter que entender o nosso projeto e a fase do clube”, ressaltou.

Os números ajudam a explicar o discurso. Pelo orçamento aprovado no fim do ano passado pelo Conselho Deliberativo, o Inter pode investir cerca de 8 milhões de euros em contratações em 2026. Cerca de metade desse valor já foi consumida na compra de Carbonero, do Racing, da Argentina. O clube também acertou a aquisição de 50% dos direitos de Victor Gabriel e ainda precisa, até o final de janeiro, exercer a preferência de compra do atacante Raykonnen, que pertence ao Goiás.

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