A Justiça condenou sete pessoas por participação em um esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e tentativa de atrapalhar investigações que causou prejuízo superior a R$ 260 mil ao Inter, ainda dentro do Caso Piffero. A sentença foi proferida nesta quinta-feira pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre, atendendo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
Entre os condenados estão o ex-vice-presidente jurídico do clube, Marcelo Freitas e Castro, advogados, um operador financeiro, um intermediário externo e o ex-jogador Christian, que teve duas passagens pelo Inter — entre 1996 e 1999 e depois entre 2007 e 2008. Freitas e Castro já havia sido condenado em outros processos relacionados ao chamado Caso Piffero, que investigou desvios em várias setores do clube, inclusive futebol e patrimônio, ocorridos entre 2015 e 2016. A ação penal teve origem em investigação conduzida pelo promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre.
De acordo com o Ministério Público, o então vice-presidente jurídico utilizou o cargo para inserir cláusulas fraudulentas em acordos trabalhistas e contratos de prestação de serviços. A manobra teria induzido o clube ao erro, permitindo o desvio de recursos em benefício próprio e de terceiros.
A sentença aponta que o esquema envolveu negociações trabalhistas com atletas e também a contratação de serviços jurídicos externos. Em um dos episódios, a inclusão de uma cláusula irregular em um acordo resultou no desvio de R$ 138 mil. Em outro caso, um acerto firmado com um ex-jogador gerou prejuízo de R$ 70 mil. Já em um contrato de prestação de serviços advocatícios, parte dos honorários foi desviada por meio de um acordo ilícito, causando dano de R$ 52 mil aos cofres colorados.
Após as fraudes, segundo a decisão judicial, os valores foram ocultados e dissimulados por meio de repasses para empresas e contas de terceiros, caracterizando lavagem de dinheiro. A Justiça também reconheceu que houve tentativa de dificultar as investigações, com orientação de depoimentos e produção de documento falso para atrapalhar a apuração conduzida pelo Ministério Público.
As penas aplicadas variam de seis a 14 anos de reclusão, conforme o grau de participação de cada um nos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação, além da aplicação de multas. O ex-vice-presidente jurídico Marcelo Freitas e Castro recebeu a punição mais severa: 14 anos de prisão em regime fechado. Já o ex-jogador Christian foi condenado a seis anos de reclusão em regime semiaberto.
A sentença também determinou a reparação dos danos ao clube. Os condenados deverão restituir ao Inter os R$ 260 mil desviados, com correção monetária e acréscimo de juros legais.
A defea de Christian, representada pelo advogado, Diego Romero, se manifestou em nota: “A defesa respeita a decisão judicial proferida. Contudo, discorda do seu conteúdo e reafirma a inocência do atleta Christian Correa Dionisio. O recurso cabível será apresentado dentro do prazo legal e buscará, respeitosamente, reformar a sentença de primeiro grau”. O CP está em contato com Marcelo Freitas e Castro, mas ainda não obteve êxito. Quando isso ocorrer, a matéria será atualizada.