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Da tensão ao alívio: as emoções dos torcedores nas ruas da Capital

Bares esvaziados deram lugar a festa e buzinaço colorado após a confirmação da permanência

Poucos torcedores se reuniram nos bares da Cidade Baixa para acompanhar o jogo
Poucos torcedores se reuniram nos bares da Cidade Baixa para acompanhar o jogo Foto : Renê Almeida / Especial / CP

A tensão da última rodada do Brasileirão de 2025 era grande para os colorados, dado o risco iminente do segundo rebaixamento da história do clube. Ao circular pelas ruas na tarde deste domingo, o receio era visível, com baixo número de camisas vermelhas tanto na Rua dos Andradas como no bairro Cidade Baixa, tradicionais pontos em que torcedores se reúnem para ver o jogo nos bares em Porto Alegre. Por outro lado, os tricolores se mobilizaram em bom número na Rua Fernando Machado, outro ponto tradicional para assistir às partidas com os amigos.

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Quando o árbitro apitou o início do jogo no Beira-Rio, os bares da rua General Lima e Silva registravam movimento tímido de torcedores, tanto de Grêmio como de Inter. Os poucos que acompanhavam a partida dividiam os olhares para os jogos da Dupla. Aos 20 minutos do primeiro tempo, o colorado Elbio Osório demonstrava confiança nos tropeços de Vitória e Fortaleza e na permanência do Inter. “O Inter chegou uma vez com perigo, precisa criar mais e rezar para a bola entrar”, disse.

Em outro bar, o gremista Luiz Carlos Preussler admitia a secação no rival: “Estou vendo o Grêmio porque sou gremista, mas automaticamente tô vendo o Inter e secando”. Apesar do bom humor, ele critica o Campeonato Brasileiro feito pelo Tricolor. “Eu acho que o Grêmio deixou a desejar, faltou técnico, faltou jogador, faltou vontade. Acho que o campeonato não é tão difícil como foi. Tem que rever para o ano que vem o técnico e alguns jogadores”, alerta.

Poucos torcedores se reuniram nos bares da Cidade Baixa para acompanhar o jogo | Foto: Renê Almeida / Especial / CP

A situação colorada no campeonato frustrou também as expectativas dos donos dos bares, pelo menos durante o jogo. A gerente de um deles Maria Helena Saldanha já esperava um baixo movimento. “A gente sabia que não ia ser tão bom quanto esperado porque a maior torcida aqui no bar é do Inter. Diante da possibilidade já quase certa do rebaixamento, não há o que fazer, o pessoal resolveu ficar em casa”, disse ela, ainda com esperança de mais clientes ao final do jogo do Beira-Rio.

No intervalo, o colorado Marcos Lima demonstrava insatisfação com a escalação escolhida pelo técnico Abel Braga. “Teria que ter arrancado com o Carbonero e o (Ricardo) Mathias na frente. Deixou o Borré. Trouxe esse cara que meteu uma bola na trave. Tá persistindo no erro”, esbravejou. No entanto, perguntado se ainda acreditava, seguiu confiante: “Acredito. Agora ele vai colocar o Mathias e Carbonero e vamos ganhar o jogo”.

Tricolores se reuniram para secar

Gremistas se concentraram nos bares da Rua Fernando Machado | Foto: Renê Almeida / Especial / CP

Já na Rua Fernando Machado, no Centro Histórico, a secação gremista predominava. Em maior número, os tricolores vibravam a cada gol que prejudicava o Inter na tabela. Cantos de “Arerê, o Inter vai jogar a Série B” eram entoados a cada “boa notícia”. Kleberson Silva foi além e, junto com os amigos também gremistas, levou foguetes para o local. “Dependendo do que acontecer nós vamos soltar”, brinca o jovem, admitindo que os olhares estavam todos para o que acontecia no Beira-Rio. “Hoje não estamos nem olhando o jogo do Grêmio. É só o Inter”, finaliza.

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Finalmente o alívio

A tensão colorada foi até os minutos finais. Na Rua dos Andradas, também no centro, a comemoração do segundo gol do Inter, de Alan Patrick, foi tímida. Naquele momento, metade do segundo tempo, esse era o gol que salvava o time colorado da segunda divisão. No entorno do Beira-Rio, o movimento era tímido durante o jogo. Os gritos e buzinaços só foram vistos ao final do jogo. Era o alívio vermelho e branco. O Inter disputará a série A em 2026.

“O Inter é pra quem acredita”, gritavam os torcedores na Avenida Padre Cacique. Braços para o alto agradecendo aos céus, selfies cantando músicas da torcida, bandeiras vermelhas agitadas e buzinaço, muito buzinaço. Mais do que comemorar, o torcedor colorado estava aliviado.

“Só o Inter para nos fazer acreditar no que ninguém acreditava. Todo Brasil falando que nós já tava rebaixado. Isso é o Inter, isso é Abel Braga. Esse time é muito grande”, comemora emocionado o colorado Luciano Marques. “Todo mundo que desacreditou, ninguém botou fé, teve gente que falou que não era pra vir no estádio, que a gente ia vir pra ver o Inter perder. Mas tá aí, é o Inter”, desabafa o colorado Luiz Guilherme.

Em todo o entorno do estádio era possível ver muitos carros, motos e agentes da Brigada Militar, que reforçou o efetivo para o jogo deste domingo. Com a confirmação do não rebaixamento, era possível flagrar alguns agentes (provavelmente colorados) comemorando discretamente. O gesto talvez seja um sinal de que o alívio não foi só do torcedor do Inter.

Torcedores colorados vibraram no entorno do Beira-Rio a permanência na Série A | Foto: Renê Almeida / Especial / CP

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