Internamente, a data de 28 de fevereiro — fixada pelo próprio clube, após um primeiro adiamento — já foi abandonada há algumas semanas. Os dirigentes, agora, trabalham com 31 de março. No entanto, há uma opinião generalizada de que o estádio também não estará pronto neste dia. “Há muita, muita coisa a ser feita. Dei uma volta lá há dois dias e fiquei bastante assustado. Se não acelerarem agora, não entrará abril adentro”, revela um engenheiro com larga experiência em obras de grande porte, que acompanha de perto a reforma desde o seu princípio.
Neste momento, centenas de operários trabalham no Beira-Rio. Além da cobertura, restam acabamentos por executar em praticamente todos os setores. Os camarotes e ao sky boxes estão longe da conclusão. Os elevadores também não estão operando, além de uma série de equipamentos, elétricos, de segurança e da “gestão” do estádio. Enfim, há muito trabalho a fazer antes de o estádio ter condições de ser dado como concluído.
O entorno do estádio também é um problema a ser solucionado. Há máquinas de diversos tipos e tamanhos espalhadas pelo terreno ao redor, dificultando o acesso dos torcedores nos dias de jogos e impedindo o início das obras de pavimentação do entorno. O pior é que não há prazo para elas saírem de onde estão.
Os adiamentos da entrega do Beira-Rio — que começaram em setembro de 2013, quando o Inter esperava voltar a jogar no local — serão pauta de debate nas próximas semanas. Segundo algumas interpretações do contrato entre Inter e AG, a construtora já viola o prazo desde 31 de dezembro. De acordo com outras, o prazo fatal seria o estipulado pela Fifa. Ou seja, 28 de fevereiro. De qualquer forma, a AG teria de pagar 0,5% do valor do contrato a cada 15 dias de atraso. Ou seja, 1,3 milhão — corrigidos desde 2010.
Promessa era cobrar a multa
Várias versões sobre o prazo de entrega do Beira-Rio foram divulgadas ao longo dos últimos dois anos. Primeiramente, a data derradeira — propagada, inclusive, pelos dirigentes — era 31 de dezembro de 2013. Nesta data, o clube, em conjunto com a Andrade Gutierrez e a Brio, divulgou uma nota oficial postergando o prazo para 28 de fevereiro. Ou seja, hoje.
A nota oficial também foi uma resposta a uma matéria do CP que divulgou os valores e os tipos de multas que existem no contrato assinado entre a AG e o clube em 2010. No dia seguinte (1° de janeiro de 2014), o presidente Giovanni Luigi concedeu entrevista ao CP na qual reiterou o dia 28 de fevereiro como o prazo final e disse que cobraria a multa da AG se ele fosse ultrapassado. “Não sou dono do Inter, sou apenas o presidente do clube. Vou cumprir o que está escrito no contrato. Cobrarei a multa”, enfatizou Luigi naquele dia.