Até os grandes percalços podem oferecer algum benefício. No caso do Inter, a eliminação da Copa do Brasil, consumada na derrota por 3 a 1 para o Grêmio, na quinta-feira, no Gre-Nal 454, eliminou uma “distração”. Agora, jogadores, comissão técnica e dirigentes têm uma única tarefa até o fim da temporada: evitar que o clube termine o ano na Série B.
Restam 13 rodadas para o encerramento do Brasileiro, incluindo o confronto deste domingo, contra o Santos, no Beira-Rio. O problema é que a paciência com o trabalho de Paulo Pezzolano dá sinais claros de esgotamento. São derrotas em excesso, tropeços que se acumulam, frustrações em série, futebol opaco e nenhuma conquista para oferecer alento ao torcedor.
A situação do treinador ficou mais delicada depois do Gre-Nal. Em um pronunciamento, o presidente Alessandro Barcellos praticamente estabeleceu um prazo de validade para o trabalho do uruguaio. “Precisamos pontuar para sairmos de onde estamos. Temos que manter o Inter na Série A. Nós entendemos que é este grupo, com esta comissão que vamos para o jogo de domingo”, afirmou.
É a primeira vez que Pezzolano enfrenta de maneira tão evidente o risco de demissão. E os números ajudam a explicar o ambiente: o Inter venceu apenas uma das últimas 13 partidas. Depois do clássico, o treinador afirmou que o triunfo gremista não foi resultado de uma superioridade incontestável. “O sentimento é ruim, não tem como evitá-lo. Mas temos que superar. Ninguém queria perder, mas aconteceu. Agora, vamos pensar 100% no Brasileirão”, disse o treinador, que cumprirá suspensão contra o Santos e não ficará na casamata.
Há, porém, um detalhe importante nessa história. Pezzolano pode até ser o primeiro a pagar a conta pela crise, mas está longe de ser o único responsável por ela. O Inter tem um elenco limitado tecnicamente e que também apresenta sinais de envelhecimento.
Para completar, atravessa uma grave dificuldade financeira, que impossibilita o clube de cumprir os compromissos com os jogadores. Houve um pagamento na véspera do Gre-Nal, mas as pendências nos direitos de imagem seguem. Ou seja, a pressão sobre o treinador é justificável diante dos resultados, mas a sua eventual saída, em caso de derrota para o Santos, não estancará a crise colorada.