Embora evite se manifestar oficialmente sobre o tema, a direção do Inter já definiu internamente que não pretende recorrer à recuperação judicial para enfrentar a grave crise financeira vivida pelo clube. A decisão contraria uma das principais recomendações do relatório elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, revelado pelo Correio do Povo no início desta semana.
A avaliação do Conselho de Gestão, liderado pelo presidente Alessandro Barcellos, é de que existem alternativas para reorganizar as finanças sem recorrer ao instrumento jurídico. Além disso, os dirigentes entendem que um eventual pedido de recuperação judicial poderia causar desgaste à imagem institucional do Inter, afetando a percepção de credores, investidores, patrocinadores e do próprio mercado.
O estudo da Alvarez & Marsal, contratado pelo clube para traçar um plano de reestruturação financeira, aponta a recuperação judicial como uma das medidas necessárias para equacionar o elevado endividamento colorado. Entretanto, o documento ressalta que a iniciativa, isoladamente, não seria suficiente para recolocar o Inter em equilíbrio econômico.
Segundo a consultoria, o processo precisaria ser acompanhado por uma ampla reforma estatutária, destinada a ampliar a profissionalização da gestão e reduzir a influência dos dirigentes políticos nas decisões administrativas, além de uma capitalização de aproximadamente R$ 200 milhões para fortalecer o caixa imediatamente e viabilizar a recuperação financeira.
Apesar da posição já consolidada pela direção, o futuro do relatório ainda passará pelo Conselho Deliberativo. Até o fim deste mês, o documento deverá ser apresentado em uma reunião específica convocada para discutir as conclusões da consultoria. Após o debate, os conselheiros poderão encaminhar recomendações à presidência, embora a decisão final sobre eventual adoção das medidas permaneça sob responsabilidade da administração comandada por Alessandro Barcellos.
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