O badminton é o esporte de raquete mais rápido do mundo, extremamente popular em países asiáticos, como China, Coreia do Sul e Indonésia. O Brasil não fica de fora e também entrega referências. A trajetória da Seleção Brasileira com a peteca nos Jogos Olímpicos é recente, mas carrega simbolismos.
O carioca Ygor Coelho, 29 anos, foi o primeiro brasileiro a disputar o badminton em uma Olimpíada (Rio 2016 e Tóquio 2020) e a entrar no Top 30 do ranking mundial da Federação Mundial de Badminton (BWF). No feminino, Juliana Viana é a principal referência da atualidade. A atleta do Piauí, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e se tornou a primeira brasileira a vencer uma partida de simples feminina em uma Olimpíada.
Aqui no Sul, Donnians Oliveira, atleta do Recreio da Juventude e irmão mais novo de Ygor, vive grande momento na carreira. Em um dos clubes esportivos mais tradicionais da Serra Gaúcha, ele tem os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 no radar.
O atual vice-líder do ranking nacional de Badminton, de 25 anos, chegou ao clube no início de 2026. Natural do Rio de Janeiro, a jovem promessa soma conquistas importantes no cenário internacional desde que chegou a Caxias do Sul, consolidando-se cada vez mais como uma das referências da modalidade no Brasil. Com foco no ciclo olímpico e no desenvolvimento pessoal, o atleta aposta na experiência acumulada ao longo dos anos para seguir aos poucos evoluindo no badminton brasileiro e inspirar novas gerações que começam no esporte.
“Tudo tem a ver com humildade e foco apenas em jogar. O foco é sempre em executar e replicar nos outros campeonatos os feitos e o que vier é consequência. O objetivo ir de pouco em pouco fazendo história. O fato de ser top no ranking ou ser tri, tetra campeão não enche meus olhos, sempre busco ter o pé no chão e me preparar para mais”.
Duas décadas de dedicação ao esporte
Donnians Oliveira começou a treinar logo aos três anos de idade, dentro do projeto social fundado pelo seu pai na comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro. Com o sonho de transformar o esporte em ferramenta de salvação, seu pai, o diretor técnico Sebastião Dias de Oliveira, comprou alguns terrenos em volta da sua casa dentro da comunidade e fundou a Associação Miratus de Badminton, em 1998. O projeto está situado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a aproximadamente 25 km do centro da capital carioca, em um bairro que abriga cerca de 5.000 habitantes.
Com apenas cinco anos, o filho de Sebastião então se aventurou em seu primeiro torneio e duas primaveras depois disputou seu primeiro campeonato Pan-Americano. Desde então, o que era uma diversão se tornou um trabalho para o jovem, que está há mais de duas décadas competindo como um simplista profissional.
Em agosto de 2021, Donnians virou a chave e foi se aventurar. Mudou-se sozinho para Piracicaba, no interior de São Paulo. Foi quando integrou a Seleção Brasileira de Badminton. Sempre atento à família, o jovem precisou sair da Seleção no início de 2023 para ajudar seu pai no projeto social, no Rio, mas nada afetou sua trajetória. No ano seguinte, ele conseguiu retomar para o time brasileiro e a recompensa então chegou, de uma forma inédita. O carioca atingiu o auge naquele período e alcançou a posição 102 no ranking mundial.
O que o fez trocar a praia pelo frio
O que atraiu o jogador de badminton para a Serra Gaúcha foi o fato do Recreio da Juventude ser um projeto ambicioso, com objetivos olímpicos e preocupado com o pós-carreira de seus atletas. Atualmente, Donnians se divide em dois estados: treina em Caxias, aqui no Rio Grande do Sul mas também em Piracicaba, em São Paulo, local mais próximo da instalação da Seleção Brasileira.
Com o intuito de investir cada vez mais na categoria de base e nos atletas de alto rendimento, o presidente do Recreio, Marcelo Ayala, explica a vinda de Donnians para Caxias.
“A gente vem consolidando uma comissão técnica muito profissional, a partir do trabalho iniciado pelo nosso head coach, o Noeslem Lima, e nesse ano agregamos mais dois técnicos de renome nacional e um pessoal que já esteve na Seleção também para compor a comissão técnica pensando num trabalho de mais longo prazo. Nesse sentido, a vinda do Donnians e de mais alguns outros atletas faz parte deste contexto, de um projeto de mais longo prazo de transformar o Recreio da Juventude num dos polos de excelência do badminton no Brasil.”
Com mais de duas décadas dedicadas ao esporte, Donnians busca viver o ciclo olímpico intensamente, mas sem deixar de lado a formação profissional. Entre metas esportivas e planos para o futuro, o atleta carioca encara a nova fase da carreira como uma oportunidade de crescimento dentro e fora das quadras.
"Eu pretendo seguir a carreira de técnico futuramente, e o Recreio acaba me proporcionando essa possibilidade. Com as minhas experiências em quadra, torneios nacionais e internacionais, vai me trazer muita bagagem. O momento agora é trabalhar, primeiro pensar nesse ciclo, mas paralelo a isso, estou me formando em educação física, tenho que desenvolver meu inglês, fazer cursos que a Federação Internacional de Badminton proporciona e, com isso, seguir uma pós-carreira como treinador.”
*Com supervisão de João Paulo Fontoura