A Eagle Football Holdings, dona de 90% da SAF do Botafogo, obteve vitória no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o próprio clube associativo e o empresário John Textor.
Eles buscam retirar da acionista seus poderes políticos e influência sobre a gestão do clube-empresa. Na prática, o STJ decide que quem mantém o poder de voto e controle da SAF é a Eagle, acionista majoritária da companhia.
Em decisão dessa quinta-feira, 21, o ministro Raul Araújo entende que as questões sobre controle, votação e governança da SAF devem ser resolvidas pela arbitragem da Câmara FGV.
A 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro havia suspendido os poderes políticos da Eagle e permitido a volta de John Textor à gestão, mas a decisão do STJ reverteu isso.
Disputa pela gestão
Na arbitragem, a Eagle vem obtendo sucessivas decisões favoráveis, com reconhecimento de seu direito de participar das votações e decisões estratégicas da SAF.
Em determinado momento, o tribunal arbitral chega a determinar o afastamento de John Textor da administração da companhia após apontar descumprimento de decisões arbitrais.
Paralelamente à arbitragem, a SAF Botafogo, por meio do clube associativo, e Textor recorrem à 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Eles buscam suspender os direitos políticos da Eagle e reverter os efeitos das decisões arbitrais.
Assim, passam a existir duas decisões opostas convivendo ao mesmo tempo: enquanto a arbitragem reconhece os poderes da Eagle, a Justiça empresarial limita esses mesmos poderes.
Diante do impasse, o caso é levado ao STJ por meio de um conflito de competência.
Este é um mecanismo usado justamente para definir qual instância tem autoridade para julgar determinada disputa.
Decisão do STJ
Na decisão, o ministro Raul Araújo afirma que a Justiça empresarial extrapola sua competência ao interferir diretamente na estrutura de comando da companhia antes mesmo da existência formal de um processo de recuperação judicial.
Para o ministro, "permitir que o juízo estatal, ainda em fase pré-recuperacional, neutralize decisões arbitrais e assuma o amplo controle de matérias societárias equivale a esvaziar a eficácia da arbitragem, rompendo o equilíbrio estrutural dos sistemas e comprometendo a previsibilidade das relações empresariais".
Com isso, a arbitragem da Câmara FGV segue responsável por decidir todas as questões relacionadas à gestão e à governança da SAF Botafogo.
O caso conta com as bancas Bermudes Advogados e Mattos Filho, representando a Eagle.
Já a SAF Botafogo, clube Botafogo e John Textor são representados pelos escritórios Basílio Advogados, Salomão Advogados, Fux Advogados, Cesar Asfor Rocha Advogados, Antonelli Advogados e Gleich Advogados.