Direto ao Ponto

Ibovespa opera em baixa com cautela do mercado após condenação de Bolsonaro

Apreensão dos investidores é impulsionada pelas declarações de autoridades americanas

Mercado aguarda novas movimentações de Washington, temendo sanções econômicas
Mercado aguarda novas movimentações de Washington, temendo sanções econômicas Foto : Adriana Toffetti / Ato Press / Estadão Conteúdo / CP

O Ibovespa opera em baixa na manhã desta sexta-feira (12), um dia após ter fechado na máxima histórica de 143.150,03 pontos. A queda reflete a cautela dos investidores diante da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a eventual reação dos Estados Unidos ao veredicto. O principal índice da B3, no entanto, ainda sustenta ganhos semanais.

"É uma abertura de mais cautela, mais morna, depois do topo histórico de fechamento e máxima inédita ontem, com apetite por risco bastante disseminado, por expectativas de cortes de juros nos EUA", avaliou Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.

Tensão geopolítica e impacto no mercado

A apreensão dos investidores é impulsionada pelas declarações de autoridades americanas. O secretário de Estado adjunto, Marco Rubio, afirmou que os EUA "responderão de forma adequada" ao que chamou de "caça às bruxas", e o presidente Donald Trump classificou a condenação como "terrível". O mercado aguarda novas movimentações de Washington, temendo sanções econômicas, como a ampliação da Lei Magnitsky e o aumento de tarifas.

Apesar da queda do Ibovespa, alguns setores reagem positivamente. O petróleo avança cerca de 1,50% após novas sanções do Reino Unido contra a Rússia, impulsionando ações da Petrobras. A Vale também se valoriza, mesmo com a queda do minério de ferro na China, impulsionada pela licença de operação para a mina do Projeto Serra Sul e a retirada de tarifas americanas sobre o ferro-níquel.

Serviços acima do esperado

Os investidores também analisam o cenário econômico interno e externo. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta, mostrou um crescimento de 0,3% em julho, superando as expectativas do mercado.

O resultado, no entanto, pode dificultar apostas de queda da Taxa Selic. O mercado espera a manutenção do juro básico em 15% ao ano na próxima quarta-feira (17), dia que também coincide com a decisão sobre as taxas de juros americanas pelo Federal Reserve (Fed). A convergência das duas decisões torna a próxima semana crucial para os investidores.

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