A América Latina entrou no debate sobre inteligência artificial no South Summit Brazil 2026 como um território estratégico diante das transformações no mundo do trabalho.
Em um painel que reuniu lideranças de tecnologia e gestão de pessoas, nesta sexta-feira, 27, a região foi apresentada como um ambiente diverso, desafiador e, ao mesmo tempo, repleto de oportunidades com o avanço da IA.
América Latina é diversa e países compartilham desafios
Um dos pontos centrais do painel foi a compreensão de que a América Latina não pode ser tratada como um bloco homogêneo. Diferenças culturais, regulatórias e operacionais entre países como Brasil, Chile e Colômbia exigem adaptações específicas das empresas em cada mercado.
Para Jaime Arrieta, CEO da Buk, empresa de software de RH e gestão de pessoas, essa diversidade impacta diretamente a expansão dos negócios. Segundo ele, a entrada em um novo país pode levar anos de preparação, devido às particularidades legais e operacionais.
Apesar das diferenças, há desafios comuns. Entre eles, o avanço da produtividade aparece como fator relevante para sustentar o crescimento econômico.
“Se queremos ser como a Europa ou os EUA, precisamos ser produtivos. Esse é o gap que temos em todos os países latino-americanos. A IA é uma oportunidade de estarmos na frente do crescimento como região”, afirmou.
Regulação e modelos de trabalho em transformação
Outro ponto abordado foi a forma de organização do trabalho. Em muitos países da região, ainda há maior foco no controle de jornada e em funções bem definidas.
Na avaliação dos participantes, esse modelo passa a conviver com novas possibilidades trazidas pela tecnologia, especialmente ferramentas que permitem mensurar resultados e ampliar a autonomia. A mudança foi apontada como um processo de transição em curso.
“Tempo de adaptação” pode favorecer a região
A mudança no padrão das transformações tecnológicas também foi destacada. Diferentemente de revoluções anteriores, que impactaram primeiro trabalhadores operacionais em países em desenvolvimento, a inteligência artificial começa a afetar inicialmente funções administrativas em economias mais avançadas.
Para Arrieta, isso pode representar uma janela de adaptação para a América Latina. “Algo especial sobre esta revolução é que ela tem um impacto maior nos empregos white collar (administrativos). Como a América Latina é mais blue collar (operacional), isso nos dá mais tempo para nos adaptarmos.”
A base tecnológica já disponível também é vista como um fator positivo, isso porque, ao contrário de outras revoluções, que exigiram grandes investimentos em infraestrutura, a IA se apoia em dispositivos amplamente disseminados, como smartphones.
Essa característica reduz barreiras de entrada e amplia o potencial de adoção em larga escala, inclusive em mercados emergentes.
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Tecnologia para apoiar gestão de pessoas
A discussão também abordou o papel da tecnologia na gestão de pessoas. Para Ilana Bobrow, cofundadora da Benup, plataforma que integra e gerencia benefícios corporativos, a inovação deve atuar como suporte e não substituição das relações humanas nas organizações.
“Como usar a tecnologia para que possamos ser ainda mais humanos nas conexões?”, questionou. “A tecnologia vai cuidar da operação para dar espaço para as áreas de gestão serem mais estratégicas.”
A reflexão dialoga com a provocação do moderador César Brunetto, que destacou o desafio de equilibrar dados, produtividade e cultura nas empresas.
Ao final, o painel indicou que, embora marcada por desafios estruturais, a América Latina pode se beneficiar de uma combinação de fatores como diversidade, capacidade de adaptação e acesso a tecnologias já difundidas.
A região aparece como um espaço onde a inteligência artificial pode acelerar transformações humanas e tecnológicas, e também na forma como o trabalho é organizado.