A internacionalização vem ganhando peso não apenas como estratégia acadêmica, mas como indicador direto de desempenho das universidades gaúchas. No QS World University Rankings 2026, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) aparece na 323ª posição entre as melhores do mundo, com destaque para critérios ligados à atuação internacional e à produção científica em parceria com outros países. A instituição também figura como a quinta melhor do Brasil na área de Ciência da Computação, um dos campos mais estratégicos para a inovação.
O tema foi debatido no painel “Lideranças femininas — como a interação internacional inspira e impulsiona a ação do ecossistema de inovação no RS”, realizado no espaço RS Innovation durante o South Summit Brazil 2026. O encontro reuniu a pró-reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Aline Pagnussat, a professora da UFRGS Carla ten Caten, a coordenadora do Tecnopuc Daniela Carolina Eckert e a gerente acadêmica da Unisinos Tatiana Avila, que mediou a conversa. Ao longo do debate, as participantes destacaram como a conexão internacional impacta a formação de talentos, amplia a produção científica e fortalece a geração de inovação no Estado.
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Alunos e pesquisa ganham com a internacionalização
Para Aline Pagnussat, a experiência internacional impacta diretamente a formação dos estudantes. “Os alunos que têm uma experiência internacional voltam diferentes, com outra perspectiva”, afirma. Segundo ela, essa vivência amplia a capacidade de lidar com problemas complexos e contribui para soluções mais inovadoras.
A internacionalização também tem reflexo direto na produção científica. Dados da plataforma Web of Science ratificam essa percepção: artigos elaborados com coautoria internacional possuem um impacto de citação até 50% superior aos estritamente nacionais. “Os artigos elaborados em parceria com autores internacionais são mais citados e têm potencial de gerar inovações mais disruptivas”, diz Aline. Ela destaca ainda que a diversidade de experiências e culturas torna os profissionais mais flexíveis e preparados para identificar novas oportunidades.
A professora Carla ten Caten reforça que a cooperação internacional precisa estar conectada ao desenvolvimento local. “É importante ter essa visão global, mas trazer isso para os nossos desafios”, afirma. Segundo ela, a articulação entre universidades e parceiros estrangeiros contribui para formar profissionais com perfil mais empreendedor e preparado para atuar em ambientes de inovação.
Ecossistema de inovação integrado
Do ponto de vista dos ecossistemas, Daniela Carolina Eckert destaca que a conexão entre instituições fortalece a imagem do Estado no exterior. “Quando a gente se apresenta em conjunto, com parceiros, isso nos dá mais relevância e mostra que sabemos trabalhar de forma colaborativa”, afirma. Ela aponta que essa atuação em rede amplia as possibilidades de projetos e parcerias. “Quando surge uma oportunidade, a gente já pensa com quem pode conectar para tornar o projeto mais rico”, diz.
A gerente acadêmica da Unisinos, Tatiana Avila, que mediou o painel, destaca que a construção de um ecossistema integrado é essencial para ampliar o impacto das iniciativas. “Quando as instituições trabalham de forma conjunta, elas são muito mais fortes”, afirma.
Outro ponto levantado durante o debate é a necessidade de equilibrar a circulação internacional com a retenção de talentos. A internacionalização, segundo as participantes, não deve ser vista como saída definitiva, mas como troca de conhecimento. A estratégia também passa por posicionar Porto Alegre como um polo de atração de estudantes, pesquisadores e projetos. A articulação entre ensino, pesquisa e inovação aparece como caminho para consolidar esse movimento.