O Spotify anunciou nesta terça-feira, 11, que vai passar a sinalizar perfis de artistas criados por inteligência artificial. A partir de meados de setembro, esses perfis passarão a exibir um selo chamado “Persona de IA”, que avisa ao ouvinte que o nome e a imagem mostrados não são de uma pessoa real.
Conforme explica a plataforma de streaming de música, o selo vai aparecer na foto de capa e na seção “Sobre” do perfil, na busca e também ao lado das músicas dentro das playlists. A empresa diz que criou a marcação depois de ouvir reclamações de usuários que só descobriam que o artista era uma criação artificial depois de já estarem escutando as músicas.
“Os ouvintes foram claros ao nos dizer que não gostam de ver um perfil de artista que parece humano, apenas para descobrir que a persona é gerada por IA”, declarou o anúncio.
A identificação vai funcionar de duas formas. A partir desta terça-feira, o próprio artista pode notificar diretamente à plataforma que seu perfil é uma persona de IA.
➡️ No entanto, o Spotify afirma que a verificação não vai depender somente dessa declaração espontânea. Uma equipe vai analisar perfis e aplicar o selo quando encontrar identidades não humanas que parecem fotos reais. A revisão começa pelos artistas mais ouvidos.
Segundo a empresa, a mudança busca dar mais transparência ao ouvinte sobre quem está por trás das músicas.
Ao tocar no selo, o usuário poderá conferir se a informação veio do artista ou se foi uma decisão do Spotify. Quem for marcado pela equipe será avisado e poderá recorrer. Nos próximos meses, os ouvintes também poderão denunciar perfis que acreditarem ser falsos.
A mudança, de acordo com o anúncio, deve afetar o alcance dessas músicas, visando dar maior visibilidade a conteúdos de “artistas autênticos que estão construindo suas carreiras na música”. Perfis marcados como persona de IA ficarão de fora das recomendações da plataforma. Ou seja, essas músicas não devem aparecer nas playlists personalizadas, a não ser que o ouvinte escolha seguir esses artistas.
"Por padrão, o Spotify não incluirá artistas do AI Personas em nenhuma recomendação editorial ou algorítmica. Isso significa que você não verá nenhuma música do AI Personas em suas recomendações personalizadas, a menos que você siga o artista, por exemplo.
Embora acreditemos que todos os artistas tenham liberdade criativa para determinar como se apresentam, a programação do Spotify se concentra em promover músicas de artistas autênticos que estão construindo suas carreiras na música”, diz.
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Outros recursos contra o uso indevido de IA
O novo selo diz respeito a quem o artista afirma ser, e não à forma como a música foi feita. Para essa outra informação, a plataforma já tem duas ferramentas: os Créditos de IA, em que o artista conta se usou a tecnologia para compor ou produzir, e o SongDNA, que mostra quem participou de cada faixa.
O volume de conteúdo artificial na plataforma cresceu nos últimos anos. Segundo o jornal britânico The Guardian, o Spotify informou ter removido 75 milhões de faixas de spam ao longo de 12 meses no ano passado, diante da quantidade de músicas falsas produzidas por ferramentas de inteligência artificial. Para efeito de comparação, o catálogo legítimo da plataforma reúne cerca de 100 milhões de faixas.
No anúncio, a empresa afirma que a conexão entre artista e fã só se sustenta sobre confiança e autenticidade. “Na música, isso significa que os ouvintes precisam poder confiar que o artista por trás da música é quem diz ser”, diz o texto, acrescentando que isso se tornou mais essencial do que nunca na era da inteligência artificial generativa.