Árvores e postes caídos em Porto Alegre seguem afetando moradores e causando indignação

Árvores e postes caídos em Porto Alegre seguem afetando moradores e causando indignação

Moradores reclamam que estruturas não estão sendo retiradas dos locais

Felipe Faleiro

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No terceiro dia após o temporal devastador que castigou Porto Alegre, centenas de árvores e postes caídos nesta sexta-feira ainda traziam incontáveis transtornos aos moradores de vários bairros, enquanto a comunicação com a CEEE Grupo Equatorial era precária. Embora o retorno da luz siga ocorrendo gradualmente, segundo a distribuidora de energia, os relatos de indignação continuam recorrentes, e a maior reclamação está relacionada à demora para o restabelecimento da energia e retirada dos vegetais, que, de maneira geral, têm atrapalhado a circulação.

Na rua Maria Josefa da Fontoura, bairro Sarandi, o contador Cristiano Duarte teve a residência bloqueada por uma árvore de grande porte, cujos galhos caíram sobre seu portão. A área ainda teve outras casas destelhadas, e o vegetal ainda atingiu um Fiat Palio estacionado na rua, que pertence ao aposentado Sérgio Luiz Silveira. “Quando começou na terça-feira, começou a cair tudo e quebrar vidros dentro de casa e não se enxergava nada. Tinha alagado tudo e o corredor estava cheio d’água. De manhã é que consegui ver bem, e o carro estava detonado”, contou ele.

O carro foi atingido no pára-brisa, que ficou quebrado, mas Silveira disse ainda não saber se outra parte do veículo foi danificada. O veículo já havia sido colocado à venda antes do temporal. A residência também sofreu danos, porém, conforme ele, o seguro não os cobre. “Abri protocolo no (telefone) 156 da Prefeitura, e disseram que vão encaminhar alguém, mas sem prazo por enquanto. Não apareceu ninguém ainda. É uma indignação”.

Já Cristiano passou pela segunda situação relacionada ao clima em poucos meses. Nas enchentes também destruidoras de 2023, ele havia ido auxiliar uma tia, que mora na Ilha da Pintada, a limpar a casa após os alagamentos. Agora, teve prejuízos na própria residência. “A Prefeitura dá um parâmetro de dois, três dias, mas isto aqui é emergencial. Eu tenho que saber uma data que virão e eles não dão. Daqui a pouco eu mesmo pego um machado e corto esta árvore. O que tinha na geladeira já coloquei tudo fora. Assim que o cidadão merece ser tratado?”, questionou ele.

Não muito distante dali, na rua Aderbal Rocha de Fraga, dois postes caíram, um deles sobre outro veículo que estava estacionado. “Tenho dois filhos pequenos em casa e não tem luz desde quarta-feira. Em outra casa, disseram que caiu um raio e pegou fogo, e os Bombeiros estiveram aqui. Não estou conseguindo dormir direito”, relatou o motoboy Gustavo Cardoso, morador da área. Na esquina das avenidas Pernambuco com Guido Mondim, bairro São Geraldo, uma enorme árvore caiu sobre o edifício de uma mecânica.

Já na avenida 24 de Outubro, no Moinhos de Vento, um vegetal caiu sobre os fios e seguia dependurado, atrapalhando o trânsito. Conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), havia no final da manhã de ontem 129 ocorrências de bloqueios nas vias de Porto Alegre devido ao temporal, sendo 47 totais por queda de árvores, 12 por postes ou fios caídos e um por acúmulo de água, além de 69 bloqueios parciais.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895