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Árvores frutíferas encantam pela beleza e paladar em Porto Alegre

Frutos são comestíveis, mesmo de densas áreas urbanas, mas requerem cuidados de higienização, dizem especialistas

Cereja do Rio Grande
Cereja do Rio Grande Foto : Pedro Piegas

* Colaborou: Rodrigo Thiel

Levante a mão quem nunca visualizou uma árvore carregada de frutas e não pensou em consumir ao menos uma delas. Espalhadas por Porto Alegre, sexta capital do país em número de árvores, segundo o Censo 2022 do IBGE, espécies frutíferas colorem parques, ruas e avenidas, proporcionando uma beleza única e, porque não, um estímulo ao paladar. E a boa notícia é que, sim, grande parte delas é comestível, mesmo aquelas em grandes vias e densos espaços urbanos com presença de poluição atmosférica, desde que, antes do consumo, haja certos cuidados. No entanto, é desaconselhável consumi-las, e, de forma geral, o plantio feito pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) considera a alimentação de espécies da fauna, como aves.

"O consumo destas frutas tende a ser relativamente seguro, não há nenhum problema neste caso. O mesmo não ocorre com as plantas alimentícias não-convencionais (PANCs), porque são consumidas outras partes da planta, como raiz ou folha. O ideal é conhecer a espécie que se está consumindo", afirma o professor Pedro Maria de Abreu Ferreira, da Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS. Segundo ele, há estudos feitos na Europa e América do Norte demonstrando baixas concentrações de metais pesados em frutas de árvores plantadas em ambientes urbanos.

O engenheiro agrônomo Diogo Del Ré, da Coordenação de Arborização da Smamus, comenta que o principal risco é o acúmulo de poeira e fuligem dos veículos na casca das frutas, e a higienização delas após a coleta é fundamental. "Não se sabe se, por exemplo, se alguém jogou outro produto químico naquele local", afirmou ele. Assim, a higiene deve ser feita com, pelo menos, água corrente e hipoclorito a 1%. A maioria das plantas frutíferas comestíveis encontradas em Porto Alegre são de espécies exóticas, e algumas das mais comuns incluem o goiabeira (Psidium guajava); araçá (Psidium cattleyanum) e amora preta (Morus nigra).

Há outras, cujas frutas não são costumeiramente consumidas, como o butiá-azedo (Butia odorata), nativa do Rio Grande do Sul. Ainda na lista das consumíveis, é costume haver certa confusão entre o jambolão (Syzygium cumini) e a cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata), ambas com aparência parecida, representando frutos de tom avermelhado-escuro. A primeira espécie é exótica, vinda da Ásia, frutifica no início do ano, enquanto a segunda é nativa da Mata Atlântica brasileira.

Pitangueira na Praça Dom Feliciano | Foto: Pedro Piegas

Público conhece somente cerca de 15% das espécies

A grande questão é o potencial de danos a automóveis estacionados próximos, já que, quando caem, ambas as frutas causam manchas. Outra boa notícia é que, em ambos os casos, elas são removíveis. Apesar de não haver dados sobre a quantidade de árvores frutíferas plantadas na Capital, Del Ré comenta que são plantadas pela Smamus em áreas públicas por volta de cem espécies nativas, e todas elas de alguma maneira são frutíferas à fauna.

Mas o público humano popularmente conhece e normalmente consome somente por volta de 15 delas. Outro exemplo é a pitangueira, árvore de pequeno porte geralmente plantada em áreas onde não atrapalham a infraestrutura aérea e há restrições urbanas. Elas se dispersam facilmente, e, em Porto Alegre, quando ingressam em uma praça sem estarem originalmente no projeto, são removidas e levadas para o Viveiro Municipal.

A Smamus mantém, há cerca de um ano, o projeto Pomar Nativo, de planejamento e plantio de árvores frutíferas em logradouros públicos, com exceção daquelas comerciais, como bergamoteira e laranjeira, pelo risco de pragas e doenças agrícolas. Já implantado em algumas, em praças e parques, a ideia é espalhá-lo para toda a cidade. Indicações podem ser feitas pelo e-mail smamus@portoalegre.rs.gov.br ou pelo Portal de Licenciamento da Prefeitura.

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