O plano de concessão de rodovias do Bloco 1 apresentado recentemente pelo Governo do Estado e que prevê a implantação de 23 pedágios ao longo de estradas estaduais, não está sendo digerido pelos prefeitos da Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag), principalmente pela falta de diálogo do Estado com lideranças e, acima de tudo, por penalizar, mais uma vez, a população com a cobrança de tarifas. "Apresentaram o projeto já formatado. Uma iniciativa desse porte e que impacta tão severamente na vida das pessoas não pode ser definida desta forma. Não aceitaremos. Somos contrários", avisa o presidente da Associação, Gaspar Behne.
Em assembleia realizada nesta semana, prefeitos dos 14 municípios da região discordaram não apenas do modelo, mas do impacto financeiro e social da concessão considerada onerosa para o usuário das rodovias. Definiram por realizar uma reunião ampliada com a participação de lideranças políticas e empresariais, inclusive de regiões próximas afetadas, como a do Paranhana, na tentativa de unir forças para conter o avanço do projeto no atual modelo.
O número de pórticos de cobrança automática (free flow), o valor do quilômetro rodado e o longo prazo previsto para os investimentos em obras mais urgentes, foram alguns dos pontos destacados pelos prefeitos. "Não resta dúvidas de que as obras previstas na concessão são importantes para o desenvolvimento da região, mas precisamos de respostas. O Estado marcou uma audiência pública para o dia 25 aqui na nossa região. Aproveitaremos o momento para manifestar nossa contrariedade", ressalta Behne.
A concessão impactará diretamente na ERS 239 que, segundo previsto, terá quatro pórticos de cobrança. Serão seis pórticos para quem usar a rodovia para se deslocar a Gramado, por exemplo, pois a ERS 115 também receberá pórticos free flow, sendo que motociclistas também passarão a pagar. Os prefeitos Giovani Feltes (Campo Bom), Carina Nath (Sapiranga) e Oséias Garcia (Araricá), também manifestaram descontentamento.
Sobre ainda a ERS 239, os gestores seguem insatisfeitos com a atual situação da rodovia, que carece de passarelas, retornos que visem a redução de acidentes e mais iluminação. Segundo o presidente da Amvag, "são necessários investimentos, mas não às custas de mais tarifas."
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