O município de Montenegro foi palco, na noite desta segunda-feira, de uma Audiência Pública da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa sobre o desassoreamento e ações de enfrentamento às cheias junto à Bacia do Rio Caí. O tema mobiliza e gera preocupação junto às lideranças regionais e estaduais diante dos impactos que as enchentes provocam na região. O evento aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, por iniciativa do deputado Airton Lima.
A audiência reuniu parlamentares e gestores públicos das cidades de Montenegro, Portão, Pareci Novo, São Sebastião do Caí e Feliz, representantes de órgãos estaduais e federais, movimentos sociais e especialistas para debater medidas urgentes e estruturantes. A proposta parte da preocupação crescente com a necessidade de desobstrução dos leitos e dragagem de áreas críticas, cujas condições foram agravadas pelas chuvas intensas que atingiram a região recentemente.
Trazendo esclarecimentos e respostas, o diretor-geral da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Guilherme Santos, detalhou ações e investimentos relativos às obras do Plano Rio Grande. Informou que apesar de não ter sido contemplada em 2012, neste momento a Bacia do Caí recebeu prioridade do governo do Estado para a etapa dos estudos de concepção e projetos conceituais para minimização das cheias. Há recursos reservados para essa finalidade na ordem de R$ 15 milhões. Segundo o diretor, o termo de referência para a abertura da licitação já está pronto.
Sobre o desassoreamento do Caí, que é coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, a etapa atual envolve a realização dos estudos de batimetria, já em andamento, que indicarão a necessidade de dragagem do rio. A batimetria é uma espécie de scanner, para determinar seu nível ao longo da bacia hidrográfica. Essa técnica permite medir a distância entre a superfície da água e o leito, criando mapas detalhados do relevo submerso. Os resultados indicarão as áreas assoreadas e apontarão se a dragagem é a melhor alternativa para enfrentar as cheias.
PREFEITO GUSTAVO ZANATA COBRA AGILIDADE DO ESTADO
O prefeito Gustavo Zanatta saiu do encontro apreensivo, diante da demora do Estado e da União na execução de projetos que possam vir a reduzir as cheias e oferecer alternativas a quem mora às margens do Rio Caí. "Já passou um ano das grandes inundações de 2024 e ainda não temos a batimetria, que vai indicar as providências a serem adotadas", destaca Zanatta.
O prefeito de Montenegro acredita que em vários pontos da bacia será necessária, sim, a dragagem do Rio, removendo os sedimentos que hoje tomam o espaço da água e fazem o nível subir mais rápido e mais alto. "As prefeituras estão fazendo aquilo que podem, limpando arroios e tubulações, mas não temos recursos e nem amparo legal para fazer intervenções no Rio. E não podemos continuar esperando. Este ano, já tivemos duas novas enchentes em Montenegro", reforça.
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