Cidades

Audiência pública abordará uso de vidros de segurança após acidente em academia

Associação Brasileira das Indústrias de Vidro pretende enviar proposta de lei (PL) ao legislativo estadual para fiscalizar parâmetros técnicos no uso de vidros

Para o consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro, Mauricio Fernandes de Jesus, é preciso aprimorar o direito do consumidor de receber informações claras
Para o consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro, Mauricio Fernandes de Jesus, é preciso aprimorar o direito do consumidor de receber informações claras Foto : Ricardo Giusti

A Comissão Mista Permanente de Defesa do Consumidor e do Contribuinte e Participação Legislativa Popular, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, realizará audiência pública para debater o aprimoramento da informação ao consumidor sobre o uso de vidros de segurança em edificações. O objetivo é aprimorar o direito do consumidor de receber informações claras quando aplicado vidro plano em alguma construção ou reforma residencial ou comercial, por meio físico ou eletrônico, sobre: a especificação do item utilizado; a aplicação prevista; a norma correspondente; e os dados de rastreabilidade, como fabricante, lote e data de produção.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro) , que sugeriu o debate e enviará representantes à audiência pública, os principais benefícios deste movimento, que visa a proteção de vidas por meio da informação adequada, são: a valorização da transparência e da relação de confiança com o consumidor; apoio ao trabalho dos Bombeiros, especialmente na etapa de "habite-se", com dados rastreáveis sobre os materiais utilizados; estímulo à conformidade técnica, evitando distorções entre o projeto e a execução da obra; aumento de valor ao imóvel e segurança jurídica para todos os envolvidos, como construtoras, projetistas, síndicos e proprietários; entre outros

A solicitação da Abividro, que resultou no requerimento do deputado Airton Artus (PDT), se deu após o acidente que causou a morte de uma mulher dentro de uma academia em Caxias do Sul. O consultor da Abividro, Mauricio Fernandes de Jesus, reforça a relevância da ação. "Trata-se de direito à informação, previsto no Código de Defesa do Consumidor e amparado por jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a competência dos Estados para legislar sobre esta matéria. O aprimoramento proposto, portanto, busca fortalecer o arcabouço legal existente, garantindo que o consumidor tenha acesso a dados essenciais para sua segurança, como o tipo de vidro e sua aplicação”, afirmou.

Jesus ainda lembrou a recente atualização da norma técnica que ampara a aplicação do vidro na construção civil: “As mudanças significam um avanço importante para que evitem-se acidentes, como o que infelizmente ocorreu em uma academia em Caxias do Sul em março deste ano e ocasionou o óbito de uma pessoa”. Entre os próximos passos, estão o encaminhamento de uma Proposta de Lei (PL), revisada pela comissão, com participação de partes envolvidas no processo, buscando validar a adequação.

Veja Também

ABNT publica atualização de norma técnica

Recentemente, a Abividro contribuiu na elaboração da nova norma “ABNT NBR 7199 - Aplicações de vidros na construção civil - Requisitos”. Essa é a principal norma técnica para aplicação do vidro em busca de mais segurança aos usuários.

Na nova versão, a norma alterou tipos de vidros considerados de segurança; passou a exigir estes vidros de segurança em novas áreas; aumentou a exigência em relação a academias, lojas, restaurantes e shoppings, para aprimorar a proteção das pessoas nestes espaços. A atualização é motivada por mudanças na oferta de produtos ou no uso, neste caso, também soma-se o aumento significativo de áreas envidraçadas nas construções e nas reformas. Ao todo, foram mais de 40 pontos atualizados.

“A medida é direcionada para toda reforma ou construção, sejam realizadas pelo próprio consumidor como também para os empreendimentos realizados pelas empresas que atuam no segmento. A atualização da norma não implica que os vidros, uma vez corretamente instalados, sejam trocados”, salientou.

Para ele, as mudanças significam um avanço importante para que evitem-se acidentes, como o que infelizmente ocorreu em uma academia em Caxias do Sul em março deste ano e ocasionou o óbito de uma mulher. “É fundamental que os profissionais na ponta do processo, que coordenam a instalação dos vidros, saibam qual o tipo de vidro adequado para cada aplicação, desta forma, garantindo o cumprimento da norma técnica”, assinalou.

Confira, abaixo, as algumas das principais mudanças práticas da atualização:

  • Vidro aramado deixou de ser um vidro de segurança
  • Com esta alteração, que segue modelos aplicados internacionalmente, apenas os vidros temperados e os laminados, além de combinações que usem estes produtos, passam a ser classificados como vidros de segurança.
  • Vidros em portas
  • Até então as portas poderiam ter vidro comum acima de 1,10m do piso. A revisão da norma estabelece que todos os vidros das portas e área adjacentes (até 60cm) sejam de segurança.
  • Conceito de ambientes de uso especial
  • A norma reconhece que algumas edificações têm usos distintos do usual, quando os usuários são majoritariamente idosos e crianças ou quando as atividades demandam rápidos deslocamentos. Desta forma, a nova versão da norma orienta uso somente de vidros de segurança nestes ambientes, entre eles: escolas, creches, academias de ginástica, quadras esportivas, hospitais, postos de saúde, clínicas, asilos, salão de festas, bares, delegacias, saunas, piscinas, estações atléticas, vestiários e outros ambientes com características similares a estes.
  • Vidro Termoendurecido
  • A categoria, é um vidro tratado termicamente para adquirir resistência mecânica superior à do float, podendo ser até duas vezes e meia mais forte, possui norma própria e foi incluída na atualização da ABNT NBR 7199, bem como as regras para sua utilização. Pode ser utilizado em fachadas, janelas, divisórias, entre outros, de acordo com especificações.
  • Vidro Insulado
  • A regra para esta categoria de vidro, ainda pouco utilizada no Brasil, foi ajustada revisando critérios de segurança que possibilitarão maior uso em construções. É um sistema composto por duas ou mais lâminas de vidro separadas por uma câmara de ar ou gás, utilizado em coberturas ou clarabóias; muito utilizados em produtos como geladeiras e fogões; ambientes com necessidades especiais de isolamento acústico e térmicos, como escolas, hospitais, estúdios, entre outros.
  • Tabela de aplicações
  • Foi incorporada à norma uma tabela com aplicações orientando o tipo de vidro para cada uso com informações que facilitam o entendimento dos requisitos.
  • Escadas, patamares e rampas
  • Vidros instalados a uma distância horizontal menor ou igual a 1,5 m de escadas e rampas, exceto guarda-corpos, devem ser de segurança até a altura de 1,5 m em relação ao degrau, ao piso do patamar ou do andar.