As condições das ciclovias de Porto Alegre foram debatidas em uma reunião da Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara Municipal, nesta terça-feira, na sede do Legislativo. Presidida pelo vereador Pedro Ruas, a reunião teve debates a respeito dos desafios enfrentados pelos ciclistas na Capital, ditos como carentes de infraestruturas para o pedal na cidade.
Por outro lado, representantes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e da Prefeitura em geral defenderam o modelo atual, destacando a vocação natural de Porto Alegre para o uso consciente da bicicleta para trânsito e prática esportiva. Ativistas, autoridades e cidadãos discutiram a respeito, entre outros assuntos, do Plano Diretor Cicloviário (PDCI).
Ele previa a instalação de 495 quilômetros de ciclovias na cidade, porém contava com somente 67 quilômetros construídos ao longo de 17 anos. Sua falta de implementação, portanto, não é responsabilidade de apenas um governo municipal, mas de sucessivas administrações.
O vereador José Freitas, autor de emendas ao recente Plano Diretor ligadas ao ciclismo, aprovadas no projeto original, expressou preocupação com as ciclovias ociosas ou mal planejadas, como aquelas atrás de paradas de ônibus. Segundo ele, a implementação de novas ciclofaixas deve ser condicionada a um estudo técnico de demanda. “Há muitas delas com pouco uso. Se você parar para observar, há algumas em que o dia todo não passa um ciclista. Por isso, defendo o estudo antes da implementação”, comentou ele.
Houve ainda a sugestão da criação de uma comissão pública reunindo órgãos de mobilidade urbana, organizações e entidades de ciclistas, a fim de discutir permanentemente sobre o assunto, ao que houve a fala de que já houve, porém acabou sendo desmantelada. Em comum, todos os participantes concordaram em que a bicicleta exerce um papel fundamental na mobilidade urbana na Capital.
O presidente da Federação Gaúcha de Ciclismo (FGC), Marcelo Sgarbossa, apontou que os congestionamentos na Capital pioraram a partir de 2010, devido a políticas federais de incentivo à compra de carros. Ele disse ainda haver uma crescente do número de mulheres que usam a bicicleta para fugir do assédio nos ônibus, e em vez de novas obras “caras e demoradas”, o poder público priorize o ciclista em vias já construídas.
“Antes do futebol chegar no Brasil, o ciclismo era que mandava nessa cidade. E hoje, o que vemos é que as mulheres descobriram na bicicleta uma forma mais segura de se locomover na cidade, porque não estão a pé, portanto estão menos vulnerável e não estão no ônibus onde há os assédios”, disse ele. O deputado estadual Halley Lino afirmou haver um “conflito” entre quem transita de carro e de bicicleta em Porto Alegre. “Nós precisamos fazer espaços públicos rico como esse, fortalecer o uso da bicicleta, porque senão a humanidade vai entupir as vias de carros”, salientou ele.