Os prejuízos causados pelas chuvas ainda impactam as vidas dos ciclistas em Porto Alegre. Depois de três episódios de queda de talude devido aos volumes intensos de chuvas que atingiram a Capital, uma interdição preventiva também foi realizada na ciclovia da avenida Ipiranga em toda a sua extensão até a Antônio de Carvalho.
Desde a interdição da ciclovia, os ciclistas enfrentam novos desafios. A ciclista Rosana Steffens, de 36 anos, utiliza a bicicleta como meio de transporte há mais de seis anos. Ela contou que passa pelas vias da Ipiranga diariamente e que os bloqueios causaram impactos na rota e aumentou a insegurança.
"Tem que pensar novos trajetos. Eu costumo andar mais no trânsito em função de achar bem ruim andar na calçada. Por conta disso, aumenta um pouco a atenção, né, porque andar com os carros é bem ruim em Porto Alegre", declarou Rosana.
Rosana ainda afirmou que os motoristas não respeitam os ciclistas, o que se torna uma experiência desafiadora e perigosa. "É fino atrás de fino, é buzina, eles acham que eu tenho que ir para a ciclovia, sendo que o meu direito é estar primeiro do que eles na faixa de rodagem", lamentou Rosana que também expressou preocupação com a falta de informações sobre quando a ciclovia poderá ser utilizada novamente. "Isso aqui é só emergencial no sentido de 'um dia quem sabe a gente arruma'", disse.
No início de setembro, a prefeitura informou a realização de um estudo do diagnóstico estrutural das seções críticas dos taludes que percorrem o arroio Dilúvio, mas o devido as condições do tempo instável, o trabalho das vistorias teve que ser suspenso. Já o projeto de Lei em tramitação na Câmara de Vereadores de Porto Alegre oferece uma esperança para os ciclistas. Ele propõe a reconstrução dos trechos da ciclovia da avenida Ipiranga que desabaram e a ampliação da malha cicloviária de Porto Alegre. A operação de crédito é de R$ 20 milhões junto ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para aplicação em obras de ciclovias na Capital.
Em nota, a Empresa Pública de Transporte e Circulação ressaltou que “os representantes da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMMU), da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Secretaria de Obras e Infraestrutura (SMOI), Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de (Smamus), Secretaria de Serviços Urbanos (SMSurb) e do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae) iniciaram as vistorias e sinalizaram pontos de atenção em parte do trecho para verificar a evolução. Mas devido a retorno das chuvas o trabalho teve que ser suspenso. Para garantir a segurança viária e realizar os estudos, a ciclovia da avenida Ipiranga, com 9,66 quilômetros de extensão, segue interditada preventivamente desde a manhã do dia 7 de setembro em todo o trecho junto ao talude do arroio Dilúvio”.