Cidades

Cinquenta anos após impedir derrubada de árvores, ativistas ambientais alertam para mudanças climáticas

Em 1975, Carlos Dayrell e Marcos Saraçol subiram em uma tipuana e impediram a derrubada de árvores para construção de viaduto na avenida João Pessoa

Estudante de filosofia, Germano Bolzon Cerezer, repetiu ato de Carlos Dayrell 50 anos depois ao escalar tipuana
Estudante de filosofia, Germano Bolzon Cerezer, repetiu ato de Carlos Dayrell 50 anos depois ao escalar tipuana Foto : Mauro Schaefer

Cerca de 50 anos depois de mudar os rumos de uma obra de trânsito para impedir o corte de árvores na avenida João Pessoa, o grupo de ativistas ambientais que protagonizou o ato voltou à subir na tipuana símbolo da resistência. Desta vez, além de recordar o feito, os membros da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) também alertaram para as mudanças climáticas vividas em todo o planeta, citando principalmente a enchente que devastou o RS em 2024.

Se em 1975 os estudantes Carlos Dayrell, Marcos Saraçol e Teresa Jardim subiram na tipuana localizada em frente a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), desta vez foi o acadêmico de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Germano Bolzon Cerezer, de 19 anos, a repetir o feito. Segurando um cartaz escrito “Mais verde, menos concreto”, o jovem escalou a mesma árvore que se tornou símbolo da resistência ecológica.

“Recordar este momento nos deixa muito emocionados. Isso mostra a importância da arborização urbana para proteger as cidades. O processo que está em curso no planeta rompeu o equilíbrio com o meio ambiente. Antes, lutávamos para que não se chegasse neste ponto. Isso tudo o que aconteceu no RS e acontece em outras regiões é recado para todos nós. Todas as pessoas que foram atingidas pela cheia também devem se tornar militantes desta causa”, afirmou Dayrell.

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Em 1975, algumas árvores seriam derrubadas na avenida João Pessoa, em frente a Faculdade de Direito da UFRGS para a construção do viaduto. Os estudantes, que já eram ativistas da Agapan, subiram em uma das tipuanas e impediram a derrubada das demais que ainda haviam no local. Após algumas horas de protestos, que foram ganhando simpatizantes ao longo do dia, a Prefeitura decidiu por suspender o corte das árvores.

Elas ainda existem e servem de sombra para quem caminha pela calçada e aguarda ônibus em frente ao campus da universidade. “Valeu o risco. Aquele ato se tornou um marco para o movimento ambientalista não só no RS, mas em todo o Brasil e mundo, pois o protesto teve repercussão internacional”, recordou Saraçol, que chegou a ser preso por subir na árvore após o protesto. A direção da Agapan tentou localizar Teresa Jardim para convidá-la para o ato, mas não a encontrou.