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Com mais de 120, Rio Grande do Sul tem excesso de faculdades de Direito, diz professora na Cidade da Advocacia

Presidente da comissão desta área na OAB/RS opina que pulverização prejudica a formação acadêmica dos estudantes

Diploma ou Formação? Advocacia Forte e de Educação de Qualidade na pauta de debates no Palco Multiverso da Cidade da Advocacia
Diploma ou Formação? Advocacia Forte e de Educação de Qualidade na pauta de debates no Palco Multiverso da Cidade da Advocacia Foto : Camila Cunha

Há mais de 120 faculdades de Direito no Rio Grande do Sul e é preciso atentar para os profissionais que sairão formados nestes locais. A fala foi da presidente da Comissão de Educação Jurídica da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), Carolina Rolim Machado Cyrillo da Silva nesta sexta-feira, quarto dia da Cidade da Advocacia 2025, evento da OAB/RS ocorrido no Cais Embarcadero, em Porto Alegre.

Ela, também professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi uma das palestrantes do painel Diploma ou Formação? Advocacia Forte e Educação de Qualidade. “As faculdades de Direito hoje foram massificadas e não estão mais dando o foco para a formação da advocacia. Por isso questionamos, se a pessoa está lá para tirar o diploma ou obter uma formação?”, comentou ela.

“As formações jurídicas precisam melhorar, não apenas considerando o resultado do Exame da Ordem, mas ter uma formação jurídica capaz de formar mesmo. É muito importante que as instituições tenham bons núcleos de prática jurídica, foquem mais nos seus estágios”, acrescentou. Para ela, não necessariamente este exame, feito pelos candidatos a obter o registro na OAB, vão chancelar o que será visto no mercado, mas ele é um “mínimo de filtro”.

“Às vezes, um profissional bem formado não passa no exame por uma série de motivos. Hoje, uma de minhas maiores preocupações é que as faculdades de Direito criaram um novo mercado. Como elas não preparam um advogado ou advogada, quando a pessoa sai da faculdade ela não tem condições de exercer a profissão da advocacia, então elas oferecem uma segunda formação, uma mentoria ou especialização em prática jurídica. É muito preocupante”. Ainda conforme ela, há faculdades cujo registro somente chega para o Conselho Federal da Ordem (CFOAB) depois que o Ministério da Educação autorizou seu funcionamento.

“Podemos pensar em uma campanha publicitária, talvez dizendo para as pessoas: ‘não vá para uma má faculdade, você tem 120 para escolher. Escolha aquela que vai propiciar uma transformação para você’”. Ainda para a professora, as novas tecnologias são aliadas em tarefas repetitivas no Direito, e já estão ingressando nas faculdades. “O letramento digital já é algo obrigatório em todas as faculdades de Direito. Mas a inteligência artificial não vai fazer uma sustentação oral para você. E a advocacia é linha de raciocínio, estratégia, relações pessoais”, salientou Carolina.

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