Covid-19 provoca mudanças no sistema de saúde da Região Metropolitana
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Covid-19 provoca mudanças no sistema de saúde da Região Metropolitana

Hospitais criam espaços para realizar atendimento exclusivo de pacientes com coronavírus

Por
Jessica Hübler

Leitos de UTIs no Estado estão com 71% de ocupação

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O enfrentamento da pandemia do novo coronavírus provocou mudanças no sistema de saúde da Região Metropolitana de Porto Alegre. Alguns municípios que antes da chegada da Covid-19 não possuíam leitos equipados com respiradores, por exemplo, agora contam com espaço dedicado exclusivamente para pacientes com a doença. É o caso do Hospital de Alvorada, administrado pelo Instituto de Cardiologia. A instituição possui 107 leitos, dos quais cinco, que até a última quarta-feira estavam livres, foram equipados com respiradores para realizar atendimento exclusivo de pacientes com a Covid-19..

Em Canoas também houve ampliação no número de leitos. Antes da chegada da Covid-19 no Estado, o município contava com 50 leitos de UTI adulto e, agora, são 70, sendo que 43 estão destinados para atendimento exclusivo de pacientes com o novo coronavírus. Até a noite desta quarta-feira, quatro pacientes com a Covid-19 estavam internados em leitos de UTI de Canoas e oito suspeitos. Outro município que também promoveu mudanças no número de leitos foi Sapucaia do Sul que, até a semana passada, tinha 10 leitos de UTI adulto e agora tem 17. Até a noite de quarta-feira, oito estavam ocupados, sendo dois com suspeita de Covid, em isolamento.

Cachoeirinha não tinha nenhum leito de UTI na cidade. Por isso, a Prefeitura criou no início da maio o Hospital de Campanha, onde foram instalados oito leitos de UTI adulto. Até a noite de quarta-feira, nenhum deles estava ocupado. O Hospital Municipal de Novo Hamburgo conta com os mesmos 10 leitos de UTI, sem aumento. Além disso, há outros 10 leitos na Unidade Intensiva de Emergência (semelhantes a leitos de UTI), além de 23 leitos de internação clínica especialmente reservados para pacientes de Covid-19.

Conforme a Prefeitura de Novo Hamburgo, até a última quarta-feira havia um paciente internado na UTI do Hospital Municipal, além de três em internação clínica e outros dois Unidade Intensiva de Emergência. Todos os seis internados estão confirmados com Covid. Não houve abertura de novos leitos em Novo Hamburgo, mas ocorreu readequação do Hospital Municipal para atendimento específico da Covid, com a separação de uma unidade para pacientes suspeitos e também a implantação de uma Central de Triagem ao lado do hospital, onde os casos suspeitos de coronavírus são atendidos.

O município de São Leopoldo, no Vale do Sinos, possui 20 leitos de UTI adulto, sendo 10 exclusivos para atendimento de pacientes com a Covid-19. Até ontem, dois destes leitos estavam ocupados com casos suspeitos, sem uso de respirador. O Hospital Centenário, de São Leopoldo, informou que solicitou e está aguardando a habilitação do Estado e do Governo Federal para quatro novos leitos de UTI. Em Gravataí não houve abertura de novos leitos, são 10 de UTI adulto e nove estão ocupados, mas nenhum dos pacientes tem relação com a Covid-19. No município de Esteio são oito leitos de UTI adulto no total e até esta quarta-feira seis estavam ocupados, mas nenhum dos pacientes possuía confirmação ou suspeita do novo coronavírus. A Prefeitura de Guaíba informou que existe uma estrutura hospitalar pronta no município e que se colocou à disposição do governo do Estado para receber 10 leitos de UTI adulto.

Leitos de UTIs no Estado estão com 71% de ocupação

A taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adulto no Rio Grande do Sul, de acordo com o monitoramento de leitos UTI adulto da Secretaria Estadual da Saúde (SES), até a noite do dia 20 de maio era de 71%. Dos 1.814 leitos, 1.288 estavam ocupados. A maioria dos pacientes (1.066), o que representa 82,76% das internações, não está entre os casos suspeitos ou confirmados da Covid-19. Até a noite de 20 de maio, pelo menos 122 pacientes com diagnóstico positivo para o novo coronavírus eram atendidos em leitos de UTI adulto no Estado. Além deles, pelo menos 100 casos suspeitos também estão internados nas UTIs. No total, 222 pacientes, confirmados ou suspeitos, ocupam leitos de UTI no Estado, o que representa 17,23%  da ocupação.

Em Porto Alegre estão disponíveis, atualmente, pelo menos 614 leitos, sendo 19 deles bloqueados por motivos diversos. Em Porto Alegre a taxa de ocupação até a noite do dia 20 de maio estava em 78,66%, sendo 43 pacientes com a Covid-19 e 32 suspeitos, além de outros 408 pacientes internados por outras razões. As internações em decorrência do novo coronavírus representam 15,52% do total. Entre os 16 hospitais presentes no Monitoramento das UTIs da Capital, levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apenas um estava com lotação máxima: o Hospital Porto Alegre, que tem sete leitos e está com os sete ocupados, sendo um paciente com suspeita da Covid-19 e um confirmado.

O hospital que atende o maior número de pacientes com a Covid-19 na Capital, no momento, é o Hospital de Clínicas que até a noite do dia 20 de maio atendia 16 pacientes confirmados e três suspeitos. Ainda com relação aos atendimentos de pacientes com o novo coronavírus, o Hospital Nossa Senhora da Conceição atende oito confirmados e sete suspeitos. De acordo com o coordenador do Complexo de Regulação da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Jorge Osório, Porto Alegre sempre foi referência para os casos mais complexos e, em termos de UTI, a Capital tem uma ocupação sazonal que varia entre 40% e 60% de pacientes não porto-alegrenses ocupando UTIs da cidade.

“É um histórico que a gente tem, por ser justamente um município polo da Região Metropolitana, mas que em algumas coisas de maior complexidade como transplante e cirurgia cardíaca, por exemplo, temos quase que uma referência estadual, mas especificamente Covid, não é um tratamento de alta complexidade, é um tratamento que as regiões deveriam absorver”, destacou. Até a noite de ontem, 40% dos pacientes com a Covid-19 ou suspeitos, internados em leitos de UTI adulto na Capital, eram moradores de Porto Alegre e 60% pacientes de fora da cidade. Em Porto Alegre, conforme Jorge, são absorvidos pacientes de outros municípios.

Para a distribuição dos leitos são seguidos diversos protocolos de regulação que ordem os pacientes por ordem de gravidade e de necessidade. “Se um paciente está dentro de um hospital que tem uma emergência estruturada com leitos de estabilização, por exemplo, é um paciente com menor prioridade do que aquele que está dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por exemplo”, detalhou, reforçando que o setor de regulação questiona qual a estrutura de suporte que o paciente tem no local onde está sendo solicitada essa transferência. 

A taxa de ocupação, de acordo com Jorge, é um dos indicadores mais importantes para avaliar a estratégia de distanciamento social. “O mais preocupante é o crescimento exponencial da curva, enquanto é um crescimento linear, como temos aqui em Porto Alegre a gente ainda tem uma condição de planejamento, de abertura de novos leitos, de resposta da estrutura hospitalar, o que não pode acontecer é um aumento exponencial onde dobra a necessidade de leitos em poucos dias e isso realmente poderia se tornar mais preocupante”, enfatizou. 

Para quem tiver suspeita da doença, Jorge reiterou que é preciso buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nas UPAs ou nas tendas que foram montadas pela Prefeitura para triagem de pessoas com sintomas respiratórios. “Neste locais são feitas as avaliações e as decisões da necessidade de internação ou não do paciente, a partir do momento da decisão, o médico vai fazer com que haja um encaminhamento de uma solicitação de internação e destine o leito mais adequado para o paciente, talvez esse seja um dos nossos segredos de sucesso em Porto Alegre”, definiu.

Conforme Jorge, o fato de a demanda de casos suspeitos estar sendo, em grande parte, direcionada para UBs, UPAs e tendas, não está sufocando o sistema dos hospitais até o momento, como tem acontecido em outras cidades do País. “Em outras capitais provavelmente as emergências se abarrotaram de gente com suspeita e procurando por demanda espontânea”, disse.