Cidades

Cuthab discute preparação da cidade para o El Niño

Desde 2024, 350 animais não foram procurados por seus antigos tutores

Drenagem, habitação e causa animal foram debatidos na reunião
Drenagem, habitação e causa animal foram debatidos na reunião Foto : Lírio Lua / CMPA / CP

Em reunião realizada nesta terça-feira, a Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) debateu como Porto Alegre se prepara para o fenômeno climático El Niño. O evento, pelos prognósticos, deve ser mais forte, com aumento das precipitações entre agosto e novembro próximos. A pauta foi proposta pelo vereador José Freitas (Republicanos).

“A enchente de 2024 deixou um trauma muito grande não só financeiro, mas também psicológico. As pessoas estão com medo. Precisamos saber o que as secretarias estão fazendo”, afirmou. De acordo com o vereador, o Guaíba está assoreado, mesma situação dos arroios. “Os principais arroios foram desassoreados apenas nas cabeceiras. O desassoreamento completo é um trabalho de médio e longo prazo. Quando teremos um sistema de contenção como queremos?”, disse Freitas.

Comunidades

Leandro Machado, representando os moradores da vila Asa Branca, no bairro Sarandi, lembrou as dificuldades vividas há dois anos, quando o “Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e a Defesa Civil não estiveram nos primeiros momentos”. Ele fez cobranças em relação à prefeitura e à distribuidora de energia elétrica Equatorial. “Na última enchente, agimos sozinhos nos primeiros momentos. Agora, queremos que estejam ao nosso lado. A prefeitura vai estar lá?”, questionou.

A situação dos animais também foi debatida. A protetora Keissy Gomes, do projeto Toda a Vida Importa, perguntou sobre planos de resgate e de abrigos. “Vivemos a tragédia e acho que aprendemos. Precisamos de um plano de evacuação de pessoas, mas também de animais. As comunidades querem saber para onde levar seus animais, saber o que fazer”, indagou.

Prefeitura

Em nome do Gabinete da Causa Animal da Prefeitura, a secretária-executiva Tatiana Guerra destacou que foi elaborado um plano de contingência para os animais em casos de desastres naturais. Segundo ela, a pasta também vem trabalhando preventivamente em regiões que foram mais afetadas, como as ilhas que compõem o bairro Arquipélago, com vacinação, castração e colocação de microchips nos animais para geolocalização. “Desde 2024, 350 animais não foram procurados por seus antigos tutores”, ressaltou, ao enfatizar a importância da geolocalização.

A questão da habitação para a população atingida e localizadas em áreas de risco foi abordada pelo diretor-adjunto do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Marcelo Cardoso. Ele relatou que muitos moradores conseguiram novas moradias a partir do programa Compra Assistida, integrante do Minha Casa, Minha Vida. “O Demhab segue recebendo muitas consultas de pessoas em áreas de risco que pretendem trocar de moradia”, relatou.

Também foram analisadas a situação das obras no Dique do bairro Sarandi, as bombas submersíveis, os condutos forçados e as podas de árvores que vêm sendo realizadas. Ao final da reunião, o vereador José Freitas sugeriu mais ações de macrodrenagem e a ampliação do número de casas de bombas na cidade. “Continuaremos atentos e acompanhando todas as questões que envolvem esse tema”, disse.

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