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Demolição do Esqueletão, no Centro Histórico de Porto Alegre, chega ao 5º andar

Trabalho está 80% concluído, afirma Secretaria de Obras e Infraestrutura

Demolição do Edifício "Esqueletão"
Demolição do Edifício "Esqueletão" Foto : Ricardo Giusti

Chega ao 5º andar a demolição mecânica do Edifício Galeria XV de Novembro, conhecido como Esqueletão, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre. Restando apenas quatro lajes, o trabalho está 80% concluído, de acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura (Smoi). Com investimento de R$ 3,7 milhões, o término dos trabalhos está previsto para até o final deste ano, segundo a pasta, após o método de demolição por meio de implosão ter sido descartado em maio pela prefeitura.

Comerciantes ouvidos pela reportagem reconhecem a demolição manual como positiva e já percebem a mudança de paisagem no centro com a diminuição do prédio. “Para nós foi perfeito”, diz Roberto Rebello, proprietário de uma ferragem localizada abaixo do prédio, que relatou ter convivido por muito tempo com queda de tijolos e outros materiais em seu comércio, e agora vê a demolição como positiva.

Ele também enxerga a decisão pela demolição manual como benéfica. “Era um empreendimento enorme, a gente estava morrendo de medo de abalar as estruturas. Então isso beneficiou bastante”, afirma. “O barulho das obras incomoda em cima do nosso prédio, as máquinas operando, furando, quebrando, o caminhão carregando. Tudo é transtorno, mas faz parte realmente para melhorias”, reconhece.

Vladimir Franco, proprietário de uma tabacaria localizada em frente ao Esqueletão, acompanhou a demolição desde o início. “Foi bem rápido. Se fica uma semana sem olhar para cima, tu vê bem a diferença. Está baixando bastante”, diz. Na sua visão, a diminuição do prédio melhorou a paisagem da área da cidade.

“Era um prédio que só estava enfeiando a cidade, juntando lixo. Hoje tem a probabilidade de botar algum [prédio] novo no lugar. Não sei o que vai ser feito, mas do jeito que estava, não tinha como ficar”, afirma.

A obra tem, porém, prejudicado algumas vendas, como para Carine Barbosa Machado, gerente de uma loja de bolsas localizada ao lado do prédio. “Nossas vendas estão bem paradas, fracas”, afirma. O barulho, a poeira e a sujeira é o que mais prejudica, nas suas palavras. “Às vezes eles ainda fecham a rua”, diz. No entanto, reconhece que a decisão pela demolição manual e não pela implosão aliviou a preocupação de danificar os prédios ao lado. “Senão, a gente teria que sair daqui”, reconhece.

"Houve um avanço muito bom e ótimos resultados em termos de performance ao longo do do dos das últimas semanas", afirma Manoel Jorge Diniz Dias, engenheiro de Minas e responsável técnico da empresa FBI Demolidora, empresa responsável pela demolição. Com o avanço dos trabalhos, ele estima que possam até mesmo serem concluídos antes do prazo previsto. As atividades compreendem a demolição da alvenaria e do concreto armado das lajes, vigas e dos pilares, com o uso de rompedores manuais. Completada a fase de demolição, ainda há o processo de limpeza e cercamento do terreno.

A demolição teve uma complexidade por conta da distribuição irregular dos andares. "Os primeiros andares do topo foram em uma área construída bem menor do que os andares aí da base. A torre também tinha uma área menor", explica. "É um desafio que ninguém havia conseguido superar, o de eliminar esse cartão negativo da cidade, que perdurou por praticamente sete décadas, e infelizmente acabando", afirma.

Veja foto do Esqueletão de 2023:

O cronograma prevê a demolição manual dos nove andares mais altos do Esqueletão e de uma parte térrea junto à rua Otávio Rocha | Foto: Guilherme Almeida / CP memória

Veja a situação do prédio hoje:

Demolição do Edifício "Esqueletão" | Foto: Ricardo Giusti

Atrasos

Alguns fatores atrasaram o início do serviço e estenderam o cronograma. Entre eles, a série de laudos e apontamentos referentes ao procedimento e divergência sobre a metodologia do serviço, que envolvia a segurança dos trabalhadores na rua, acabou atrasando em sete meses. A Superintendência Regional do Trabalho defendeu que deveria ser de outra maneira.

Outro fator foi a enchente em maio de 2024, que, além de atingir o prédio, também dificultou que a equipe responsável, que é de São Paulo, retornasse – só depois que as águas baixaram. Após, a decisão da implosão pela demolição mecânica no trecho final aumentou de 2 a 3 meses o processo.

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Demolição mecânica foi decidida em maio

Em maio deste ano, foi decidido que a demolição do edifício não seria mais realizada por meio de implosão, mas sim por demolição mecânica e manual. A alteração foi tomada em conjunto por técnicos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) e da FBI Demolidora, após análise do laudo de vistoria cautelar da vizinhança e com o objetivo de garantir segurança para a cidade.

Requisito da implosão, a empresa realizou o laudo de vizinhança para verificar as condições do entorno, e atestou que muitos prédios tinham janelas que não estavam bem fixadas e que havia desplacamento do reboco em alguns prédios, além de que a vibração da implosão poderia fazer com que uma janela caísse, um vidro trincado ou um ar-condicionado se desprender em alguma parte.

Seriam implodidos os dez andares restantes do prédio, localizado entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Otávio Rocha. Logo após o início dos trabalhos, em fevereiro de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determinou a paralisação. A retomada ocorreu somente em janeiro deste ano, quase um ano mais tarde.