Após quase três anos, a revitalização do Viaduto Otávio Rocha, conhecido também como Viaduto da Borges, está 80% concluída. A obra, que começou definitivamente em dezembro de 2022, tem previsão de conclusão mantida para o final deste ano, como foi anunciado em março, após ter sido prometida para maio de 2024. Com investimento inicial de R$ 13,4 milhões, a obra teve aditivos ao longo dos trabalhos, somando para R$ 19,7 milhões. Neste momento, o viaduto está com três frentes de obras, segundo o Secretário Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores.
Nas proximidades da rua Duque de Caxias, os trabalhos estão concentrados na impermeabilização para resolver uma infiltração. “Tivemos que tirar o piso para colocar a manta que impermeabiliza, para depois recolocar o piso. Isso causa um transtorno no trânsito na passagem de pedestres”, explica o titular da pasta. A impermeabilização teve sua primeira fase nas escadas e agora está concentrada no leito da via. Cerca de 20 trabalhadores estão diariamente no local, de segunda a sábado, e eventualmente à noite.
Outra frente de trabalho está na troca do Cirex, argamassa especial que reveste as paredes de concreto do viaduto. É necessária, porém, uma atenção maior para a atividade, considerando que ele deve ser colocado com as mesmas características históricas da implantação do viaduto, de 92 anos. “Em alguns pontos, se o Cirex não estava com as mesmas características históricas, a gente teve que recolocar em alguns pontos. Agora, nós estamos nessa fase de acabamentos”, pontua Flores.
O terceiro ponto está no nível da Borges de Medeiros, com a conclusão dos trabalhos na parte do passeio público. “Já está com boa parte concluída, tem alguns arremates para fazer em alguma parte que não ficou tão boa, para que a gente possa, então, liberar o passeio para os pedestres”, detalha. As 31 lojas do local já estão quase concluídas, restando apenas alguns acabamentos pontuais, segundo o secretário. Após a recuperação histórica das portas e das aberturas, foi instalado o sistema de água e de esgoto, além das eletrocalhas para receber energia, telefonia e internet.
No início de julho, os tapumes de contenção do canteiro de obras foram movidos para o meio-fio da Borges de Medeiros, no espaço destinado ao estacionamento, normalizando o trânsito no sentido Centro-Bairro. Em um lado, há cerquite com sinalização, e do outro tapumes. Questionado sobre a segurança dos pedestres, o secretário afirmou que a sinalização obedece à legislação, e justificou que o volume de transporte público de um lado poderia derrubar a sinalização, mas não descarta a possibilidade de reforço caso ameace a segurança de pedestres.
“A gente pode reforçar do outro lado, mas como tem uma questão do maior volume de ônibus e causa um deslocamento diário, isso poderia fazer com que caísse. Aqui ele está apontando mais então perto da via, por isso a gente optou, mas se a gente entender que está inseguro, a gente pode reforçar ali”, diz.
Para a conclusão das obras, ainda resta a instalação da iluminação e a conclusão do Cirex e dos acabamentos pontuais nas lojas. “A iluminação já está instalada, mas ainda não está totalmente recebida por nós, faltam ainda alguns pontos”, explica Flores. Haverá, ainda, a instalação de um memorial do viaduto, de uma maquete que está no Paço Municipal.
“Já está tudo em fase de terminar. Não tem nenhuma fase que falte para a gente começar. Iniciamos todas as frentes”, reforça o secretário.
Obra sofreu atrasos
Sobre o atraso e os adiamentos da conclusão da obra, Flores vê como aprendizado para a administração municipal. “Quando a gente começou a obra e fez a licitação, tinha 32 ocupantes irregulares das lojas. Isso teve que ser negociado e também impactou de alguma forma a execução. Tivemos a enchente que também nos impactou bastante. Mas a reforma de prédios históricos tem outra dinâmica que a gente teve que compreender e aprendeu bastante. Eles têm ali algumas surpresas, digamos assim”, diz Flores.
Fatores como a complexidade da área, envolvida por vários edifícios residenciais e prédios comerciais, ser ao lado do maior terminal de ônibus da Capital e a poucos metros da Santa Casa, maior complexo hospitalar do estado, geram mais impacto para a população comparado a outro bairro, ele explica. “Esse dimensionamento que não foi talvez calculado com a precisão que se imaginava, acabou levando também alguns atrasos. Temos que aprender com essas dificuldades e compreender que fazer uma obra em espaço urbano aberto, com tanta circulação de pessoas, veículos, serviços, também impõe desafios que demandam um planejamento ainda maior”, diz.
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O secretário, porém, reforça a importância da revitalização dessa, somada às outras obras e requalificações realizadas na região central de Porto Alegre – como o Esqueletão, o Quadrilátero Central, Largo Glênio Peres, trechos da Orla do Guaíba e Usina do Gasômetro. Nas suas palavras, a obra do Viaduto Otávio Rocha é “importante para a autoestima da cidade”. “Isoladamente, ela não tem tanta importância, mas dentro nesse contexto, ela é fundamental para o distrito de centro”, complementa.
A requalificação veio em cenário de problemas e patologias na área que precisavam ser consertados, afirma Flores. “Na medida que a gente for qualificando e melhorando, vai melhorando o ambiente do Centro. É talvez a nossa obra de arte mais bonita de Porto Alegre na região central, dentro de uma perspectiva de qualificação dessa região que cada pessoa tem seu bairro, mas que o centro é o segundo bairro de todo cidadão”, diz.