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Demolição no Esqueletão, em Porto Alegre, avança para 70% e deve ser concluída em dezembro

Neste momento, os trabalhos estão concentrados na sexta laje do prédio. Técnica de implosão foi descartada em maio pela prefeitura

Edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão
Edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão Foto : Pedro Piegas

O processo de demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, avança e já está 70% concluído. Com o método de demolição por meio de implosão descartado em maio pela prefeitura, o cronograma se estendeu por mais 3 meses, e a conclusão, que estava prevista para setembro, passou para o final de dezembro deste ano.

Nesse momento, os trabalhos estão concentrados na sexta laje do prédio – que seria o teto do quinto andar. As atividades compreendem a demolição da alvenaria e do concreto armado das lajes, vigas e dos pilares, com o uso de rompedores manuais. Completada a fase de demolição, ainda há o processo de limpeza e cercamento do terreno. O investimento do serviço é de R$ 3,7 milhões.

“Está indo muito bem, e até em um ritmo mais rápido do que a gente esperava para essa fase”, relata o titular da Secretaria de Obras e Infraestrutura (Smoi) André Flores. “O que temos conseguido, e que era o nosso principal objetivo, é causar o mínimo transtorno possível. A gente não teve nenhum acidente, não tivemos nem uma queda de material, e não trancamos o trânsito”, diz.

Os trabalhos envolvem uma equipe em torno de 16 profissionais. A equipe foi ampliada em relação à etapa inicial por questões de segurança, pois, no início, os trabalhos se concentraram nos quatro últimos andares – menores em área, mas de maior complexidade e risco para os colaboradores, afirma Manoel Jorge Diniz Dias, engenheiro de Minas e responsável técnico da empresa FBI Demolidora, empresa responsável pela demolição. “A geometria do prédio é irregular, com os últimos andares tendo menor área construída, mas representando um grau de dificuldade muito maior em relação aos andares inferiores”, diz.

"Os trabalhos desenvolveram-se com certa normalidade em boa parte das etapas, com a paralisação dos serviços nos momentos em que as condições climáticas não eram favoráveis para contemplar sempre as normas de segurança, preservando os nossos colaboradores", relata o engenheiro. Ele defende, com o serviço, devolver para a cidade uma paisagem urbanística "mais compatível com a arquitetura da região Central".

Para o secretário Flores, a demolição é histórica para o Centro Histórico de Porto Alegre. “Isso dá uma qualificação até na autoestima do Centro de Porto Alegre. Todo mundo tem seu bairro, mas o Centro é o segundo bairro de todo mundo, e o mais conhecido da cidade. Estamos dando uma qualificação para o centro, e tem sido muito gratificante essa demolição”, afirma.

Após a conclusão dos trabalhos, o destino do prédio retoma à Procuradoria Geral do Município e o Judiciário, já que ele pertence ao setor privado.

Atrasos no início da demolição

Alguns fatores atrasaram o início do serviço e estenderam o cronograma. Entre eles, a série de laudos e apontamentos referentes ao procedimento e divergência sobre a metodologia do serviço, que acabou atrasando em sete meses. “Tivemos uma questão sobre a metodologia de segurança dos trabalhadores na rua. Tínhamos um entendimento de que poderíamos aplicar algumas normas de segurança. A superintendência regional do trabalho, ligada ao Ministério do Trabalho, entendeu que deveria ser de outra forma a proteção”, afirma Flores.

Outro fator foi a enchente em maio de 2024, que, além de atingir o prédio, também dificultou que a equipe responsável, que é de São Paulo, retornasse – só depois que as águas baixaram. Após, a decisão da implosão pela demolição mecânica no trecho final aumentou de 2 a 3 meses o processo.

Alteração pela demolição mecânica foi decidida em maio

Em maio deste ano, foi decidido que a demolição do edifício não seria mais realizada por meio de implosão, mas sim por demolição mecânica e manual. A alteração foi tomada em conjunto por técnicos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) e da FBI Demolidora, após análise do laudo de vistoria cautelar da vizinhança e com o objetivo de garantir segurança para a cidade.

“Não pela questão do prédio ou pela segurança, mas pela segurança do entorno”, reforça Flores. Os riscos poderiam ser maiores por conta de algum ar-condicionado que não estivesse bem fixado, ou assim, poderia colocar em risco a gente preferiu evitar esse risco, claro, considerando a manifestação dos técnicos, mas também é claro a questão dos moradores, do do do das pessoas que tem assim seus escritórios no entorno para qualificar, a gente entendeu que segurança também a sensação e as pessoas estavam se sentindo insegura com essa implosão.

“Havia um pleito dos moradores e dos comerciantes do entorno para que, ao invés da implosão, fizessem a demolição. Com uma certa insegurança, não só a segurança dos prédios em si, mas não tinha uma janela bem presa ou um ar-condicionado que poderia gerar algum tipo de acidente”, afirma Flores. No dia que antecede a implosão, ou durante dois ou três dias, seria necessário tirar todos os moradores ou trabalhadores do entorno, em um raio de pelo menos 300 metros. A operação, atesta o secretário, não é simples, por envolver pessoas que necessitam de maior cuidado – como idosos ou acamados.

Requisito da implosão, a empresa realizou o laudo de vizinhança para verificar as condições do entorno, e atestou que muitos prédios tinham janelas que não estavam bem fixadas e que havia desplacamento do reboco em alguns prédios, além de que a vibração da implosão poderia fazer com que uma janela caísse, um vidro trincado ou um ar-condicionado se desprender em alguma parte. “Por essa razão, para garantir a segurança do entorno e conversando com as pessoas, junto com o prefeito, nós tomamos a decisão de modificar a metodologia da para ao invés de fazer a implosão, fazer a demolição mecânica e manual”, conclui o secretário.

Seriam implodidos os dez andares restantes do prédio, localizado entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Otávio Rocha. Logo após o início dos trabalhos, em fevereiro de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determinou a paralisação. A retomada ocorreu somente em janeiro deste ano, quase um ano mais tarde.

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