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Eldorado do Sul terá sistemas próprios de medição do Jacuí e Guaíba para prever alagamentos

Sistema será composto por uma estação meteorológica, quatro sensores de lâmina d'água e dois de alagamento

Pontos de alagamento no bairro Itaí, em Eldorado do Sul
Pontos de alagamento no bairro Itaí, em Eldorado do Sul Foto : Camila Cunha

O município de Eldorado do Sul, um dos mais afetados pela enchente do ano passado e que passa novamente por inundações, deve contar, em breve, com um novo sistema para a medição do Guaíba e do rio Jacuí, para facilitar na precisão de informações e previsão de cheias. O sistema é composto por uma estação meteorológica, quatro sensores de lâmina d'água, como conjunto de réguas que compõem o complexo dos corpos hídricos, e dois sensores de alagamento. De acordo com a Defesa Civil, a contratação dos sistemas foi concluída e a previsão é de que eles sejam instalados ainda na próxima semana. A empresa contratada é a NBN Engenharia Limitada.

A estação meteorológica tem o objetivo de oferecer informações relacionadas à temperatura, pressões atmosféricas, medição de volume de precipitação no município e, também a direção dos ventos, que acabam influenciando principalmente no represamento das águas do Guaíba.

Já os sensores de lâmina d’água devem funcionar como uma régua. Serão instalados quatro: um no Assentamento Irga, outro no bairro Picada e outro no bairro Itaí, todos margeados pelo Jacuí. Também haverá instalação no bairro Sans Souci, margeado pelo Guaíba. A cidade não possuía régua oficial para medir o nível dos corpos hídricos, apenas réguas manuais, confeccionadas pelos núcleos comunitários, onde a leitura só podia ser feita in loco.

“O Guaíba e o Jacuí impactam uns em uns bairros, outros em outros bairros. São dois rios que afetam a cidade. O rio Jacuí impacta diretamente no assentamento Irga e no bairro Chácara, Vila da Paz, Cidade Verde e Picada. Esses cinco bairros são impactados mais nas margens da da área de de amortecimento da bacia do Delta, e são os primeiros bairros impactados pela bacia do Rio Jacuí”, explica Mario Rocha, secretário da Reconstrução, Resiliência Climática e Defesa Civil do município.

Os dois sensores de alagamento serão instalados estrategicamente em pontos mais baixos, onde primeiro chegam água na cidade, como em bocas de lobo. Quando elas se encherem de água, será enviado à central que o ponto específico da cidade está recebendo água acima do normal. "Combinando essa informação com o nível do rio, que eu já tenho um nível que já me deu alerta de inundação anteriormente, tenho a informação que a água já chegou na rua e no bairro tal. Dali, vai começar a extravasar dos cordões, das ruas e vai começar a entrar na cidade", complementa Rocha.

“Com esses sensores, consigo monitorar da nossa central de monitoramento todas essas informações. Ainda mais, consigo compartilhar essas informações e acessos com cidades vizinhas, como Canoas, Porto Alegre e Guaíba, com as defesas civis próximas para que elas também usem essa informação a seu favor, inclusive para se antecipar algumas ações de resposta das defesas civis locais”, conclui.

O anteprojeto da obra de contenção de cheias em Eldorado do Sul, considerada uma das obras prioritárias pelo Estado, está emperrado após a licitação para o estudo ser suspensa no final de junho por uma medida do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O governador Eduardo Leite se reuniu na terça-feira com o conselheiro do TCE, acompanhado de técnicos do Estado e da Procuradoria Geral do Estado (PGE), para apresentar precedentes que permitiriam o uso de qualificação técnica e preço em licitação dessa natureza. Agora, aguarda a decisão de reversão da suspensão, que está nas mãos do conselheiro do TCE.

Município ainda tem bairros alagados

O bairro Itaí, um dos bairros afetados pelas chuvas, ainda registra pontos de alagamento, com recuo lento. A rua Dom Feliciano, próximo à margem do Guaíba, é uma delas, que ainda tem água até a calçada das casas e avança para as ruas perpendiculares Antenor Pereira e H1 – nesse, mais próximo da beira, o nível chega próximo ao joelho. “Fico acordando toda hora, preocupada, olhando”, diz Vitória Korposki Murliki, moradora da rua. Ela colocou uma pedra na calçada pra marcar o nível da água, e fica acompanhando. Diz que está recuando, mas ainda há muita água na rua. “Quando o vento para, ela baixa um pouquinho. Temos sorte porque o vento está empurrando. Mas mesmo ajudando, ainda tem muita água”, diz.

Ela está morando na casa da sua irmã. A sua, na esquina da rua com a Antenor Pereira, está sem muros e destruída pela enchente do ano passado. Vitória ainda não conseguiu reconstruir o lar onde viveu por muitos anos e teve tantas perdas. “Minha casa ficou vazia, tudo foi levado pela água. Não salvei um pano de prato, nada”, lamenta.

Pontos de alagamento no bairro Itaí, em Eldorado do Sul | Foto: Camila Cunha

A rua, com um silêncio quase ensurdecedor, escancara o abandono das casas – que começaram após a enchente e se intensificaram com os alagamentos nos últimos dias. Vitória apontava casa a casa e sabia a situação de cada uma. Em umas, a maior parte da família refugiou dos alagamentos e só uma pessoa vigia o local. Em outras, todos se mudaram para outro bairro ou cidade.