Cidades

Em Guaíba, água recua lentamente no bairro Alvorada

Pontos de alagamento ainda impedem passagem de veículos terrestres na rua Marcílio Dias, às margens do Guaíba

Pontos de alagamento no bairro Alvorada, em Guaíba
Pontos de alagamento no bairro Alvorada, em Guaíba Foto : Camila Cunha

Os bairros Ipê, Engenho, Orla, Alvorada e Passo Fundo seguem alagados por conta do último episódio de chuvas e da ação do vento Sul no município de Guaíba. A última medição do município registrou nível de 2,40 metros, apresentando queda. No bairro Alvorada, moradores acompanham o recuo lento das águas. No píer do bairro, à beira do Guaíba, é possível ver a força do vento fazer a água avançar em direção à via. Porém, segundo um morador próximo dali, houve um considerável recuo desde a última semana, em que ela avançava próximo aos portões de residências da área. No bairro, apenas as ruas margeadas pelo Guaíba ainda são afetadas pelos alagamentos. Na rua Marcílio Dias, mais à frente, a água ainda bloqueia a passagem, mas também tem recuado. Ela chegou a avançar até domingo, não chegando a entrar nos pátios. Desde então, tem diminuído.

Carlos Vudig, morador da rua, observava o nível da água à margem, e comparou que, nos dias normais, chegava apenas até uma casa mais à frente. Hoje, a casa está ilhada por todos os lados. Ainda reformando o espaço atingido pela inundação, que chegou a 1,10 metros e deixou sua família por dois meses fora de casa, e lidando com as consequências da catástrofe, Carlos ficou monitorando o avanço das águas nos últimos dias. "A gente estava acompanhando, porque todo ano sobe nessa época", diz.

Alguns troncos de árvore são vistos na margem, arrastados pela força da água. Havia mais, relata Carlos, mas foram retirados pelas equipes de limpeza urbana. Um banheiro químico, colocado para uma obra de asfaltamento da rua seria iniciada antes do alagamento, não foi retirado do local e também foi arrastado pela água, estando próximo de uma residência. Carlos relata que as casas ao redor foram todas abandonadas por conta da enchente, e apenas um apartamento foi reformado recentemente.

Na mesma rua, a casa do casal José Pereira e Veni Nunes Maria tem água a centímetros do portão. Eles relatam que, nos últimos dias, a água avançou rapidamente, atingindo o pátio da casa, mas está oscilando entre a estabilidade e o recuo. “Não levou 10 minutos, a água chegou aqui. Aquilo vinha rápido. Agora parou”. O casal segue monitorando o comportamento da água, mas não pretende sair da residência.

A reportagem esteve nesta terça-feira no bairro Ipê, um dos mais afetados pelos alagamentos. Na rua Três, as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade relatam os transtornos intensificados pelos alagamentos, que já permanecem há duas semanas. A água é suja e com a presença de uma espécie de minhocas, trazendo riscos a moradores que precisam caminhar pela água com chinelos de dedo, ou até mesmo pés descalços.

Um abrigo provisório com capacidade para acolher mais de 100 pessoas está aberto no município. Até agora, já foram acolhidas 14 pessoas de quatro famílias, todas residentes da rua Três, no bairro Ipê. Além dessas, mais 50 pessoas saíram de casa por vontade própria do bairro.

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