Em dia de paralisação, o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) realiza uma mobilização no Centro Histórico de Porto Alegre na manhã desta sexta-feira. Servidores e aposentados exigem do executivo municipal propostas que valorizem o funcionalismo, como o reajuste da data-base da categoria, com defasagem de 34,16% e sem aumento real desde 2020, segundo a entidade. Ainda, melhoria nas condições de trabalho, que estão com equipamentos precários.
“Melo, no debate da data-base, nos ofereceu 0% de reajuste. Temos, hoje, mais de 34% de defasagem salarial e Melo não oferece nada. Ele ofereceu sim, ofereceu o equivalente a um cacetinho por dia no vale-refeição, o que só atinge os colegas que estão na ativa e não os aposentados”, afirmou a diretora-geral do Simpa, Fabiane Pavani.
Segundo ela, até o momento, o executivo municipal propôs uma reposição de 4,27% no vale alimentação para os servidores na ativa. De acordo com a diretora-geral, um estudo encomendado pelo Simpa e conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levou em consideração as receitas e despesas do município de Porto Alegre, aponta que a prefeitura pode ofertar o reajuste para a categoria porque opera em superávit desde 2020, ao contrário do que afirma o Município sobre a retenção do reajuste.
O Simpa também denuncia problemas na educação, em que a gratificação para os colegas da ativa prevê descontos em folha e não permite licenças autorizadas, como a licença luto e por condições de saúde, como acompanhamento de gestante ao médico, permitidas pelo estatuto do servidor.
Há um histórico de reuniões para tratar das situações, mas sem acordo definitivo. “Abono e gratificação é algo que nós não levamos para a aposentadoria. Não significa efetivamente ganho salarial, não está incluso no plano de carreira. Nós queremos efetivamente no salário. É isso que é o nosso direito enquanto categoria. É a nossa data-base, é o momento de fazer esse pagamento, essa restituição”, defendeu a diretora-geral.
A mobilização teve concentração na Secretaria Municipal de Administração e Patrimônio de Porto Alegre, e seguiu até o Centro Administrativo. Os presentes no ato bloquearam a avenida Borges de Medeiros e a Mauá. A manifestação também contou com a presença de vereadores, como Juliana Souza (PT), Jonas Reis (PT) e Karen Santos (PSOL) e Giovani Culau (PCdoB). Nas ruas, houve reforço da Brigada Militar e da Guarda Civil municipal.
As partes ainda passam por entraves para realizar uma reunião de negociação. O encontro fechado com o prefeito estava marcado inicialmente para 11h. A entidade alega que Melo não atendeu a diretoria. Por volta das 11h30min, o prefeito publicou em sua conta na rede social X que ficou aguardando por 45 minutos os representantes da entidade. Segundo ele, o encontro havia sido antecipado para 10h30min, e afirmou que os representantes "decidiram não subir", "escolhendo não dialogar de forma ordenada e respeitosa, como todos os integrantes do governo têm conduzido até aqui". Já o Simpa afirma que os diretores queriam entrar, mas Melo não permitiu. Uma nova reunião está sendo agendada.
Fiquei 45 minutos com o time de governo aguardando no meu gabinete os representantes do SIMPA para avançar no diálogo sobre a questão salarial. A reunião está organizada há mais de 10 dias, marcada para as 11h desta sexta-feira - quando abri minha agenda por solicitação do…
— Sebastião Melo (@SebastiaoMelo) July 10, 2026
Nesta semana, o executivo municipal emitiu uma nota informando a reposição de 4,26% no vale-refeição, corrigido pela inflação acumulada de 2025, e que “a atualização do complemento para servidores com vencimento básico inferior ao salário mínimo, com efeitos retroativos a janeiro de 2026”. A proposta prevê o pagamento da primeira parcela da reposição de 2023, calculada em 1,54% para a folha de dezembro deste ano com reflexos no 13º salário.
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Ainda, a nota tratava das alegações sobre a existência de recursos para corrigir a defasagem dos pagamentos. Foi informado que “os efeitos do desastre climático de 2024 ainda impactam significativamente as finanças municipais, o que exige equilíbrio para assegurar a sustentabilidade das contas públicas e a continuidade dos serviços essenciais”, considerou a nota, sem refutar os achados do estudo apresentado pelo sindicato.
Às 14h, o Simpa irá organizar um ato em frente à Secretaria Municipal de Educação (Smed), por valorização dos servidores da educação. A principal reivindicação é de que o executivo municipal ofereceu gratificação apenas para uma parcela dos servidores, financiado com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Na sequência, às 15h30min, a entidade irá reunir-se em assembleia no Colégio Estadual Júlio de Castilhos para decidir os próximos encaminhamentos – entre eles, a continuidade da greve.