Um dos principais reflexos da enchente histórica de 2024 ainda vivos na rotina da Capital é a chegada com obras inacabadas no complexo viário Telmo Thompson Flores, nos arredores da Estação Rodoviária de Porto Alegre. Tanto o corredor humanitário, elevado durante a cheia de maio do ano passado, como a passarela que ligava o Centro Histórico à rodoviária, destruída parcialmente para que a solução temporária – à época – pudesse ser feita.
Quem trafega ou caminha na rua da Conceição, ao lado do corredor humanitário, tem na parede de pedras empilhadas um ponto de atenção. Já os acessos da antiga passarela permanecem em pé e tornaram-se abrigos para pessoas em vulnerabilidade. Enquanto as obras para finalizar a contenção da elevação da avenida Castelo Branco na chegada da Capital e uma nova passarela é construída, a prefeitura de Porto Alegre agiliza um caminho alternativo para que pessoas possam circular entre o Centro Histórico e a rodoviária.
Trata-se de uma calçada em construção entre o final da avenida Júlio de Castilhos e as proximidades da estação Rodoviária, da Trensurb. As obras no trecho já estão em estágio avançado, restando a conclusão das rampas de acessibilidade. Mesmo com os serviços ainda em andamento, a população já começou a utilizar a rota. Entretanto, ela ainda apresenta dificuldades para quem circula pelo local diariamente.
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“Está horrível atravessar da rodoviária para o Centro Histórico. Antes tinha a passarela que era uma coisa muito boa de usar, mas tiraram para fazer isso aí (corredor humanitário), com esses destroços que não tiraram mais. Agora, desci do ônibus e tive que vir aqui por dentro, esperando os guardas apitarem para os veículos pararem e para que eu pudesse atravessar em meio à obra com a minha mala. Aqui na Júlio também tem que ficar esperando muito para atravessar”, contou Jandira da Silva, moradora do Sarandi.
Enquanto as rampas de acessibilidade não ficam prontas, cadeirantes que transitam pelo local precisam fazer um desvio até a avenida Mauá para atravessar de um ponto a outro. “Enquanto a situação da passarela não é resolvido, e como a estação da Trensurb em determinados dias e horas acaba fechando, é preciso mais acesso e segurança ao pedestre. A calçada é feita justamente para isso”, afirmou o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, André Flores.
Previsão para inícios de obras no complexo viário
Ainda de acordo com o secretário, a retomada das obras no corredor humanitário deverá iniciar nas próximas semanas. A previsão da pasta é divulgar nos próximos dias o cronograma de serviços. “O projeto foi finalizado e o contrato já foi assinado. A empresa está preparando para mobilizar o canteiro de obras. Não vamos bloquear o trânsito totalmente, mas haverá alguma redução de pista durante a execução. Estamos aguardando os últimos acertos com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a secretaria de Serviço Urbanos para divulgar o cronograma”, completou.
Já com relação à obra na passarela da rodoviária, a situação poderá demorar mais. Flores explica que uma nova estrutura, cerca de 2,5 metros mais alta, será construída no local. Para isso, os acessos ainda existentes serão demolidos. Entretanto, o projeto ainda está em fase de finalização. O secretário reforça que não será possível utilizar a estrutura existente pois as rampas em caracol – construídas na década de 1970 – não atendem as normas de acessibilidade.
“Por conta do nível da pista, a passarela precisará subir cerca de 2,5 metros. E aqueles acessos estão fora da norma. Um cadeirante não pode subir aquelas rampas, que não possuem pontos de descanso. Então será uma nova passarela ali. Também temos tratado com a secretaria de Ação Social para dar acolhimento às famílias que utilizam o local como abrigo”, concluiu.