Cidades

Estados da Malha Sul debatem modelo estratégico de concessão ferroviária para a logística e a competitividade industrial

Representantes dos estados e de setores industriais e agropecuários participaram de debate na Fiergs nesta terça-feira

Evento debate novo modelo de concessão ferroviária proposto pelo governo federal e as principais demandas da indústria gaúcha
Evento debate novo modelo de concessão ferroviária proposto pelo governo federal e as principais demandas da indústria gaúcha Foto : Alina Souza

Diante do encerramento do contrato de concessão da Malha Sul em 2027, atualmente operado pela empresa Rumo, o modal ferroviário tem sido debatido entre os estados, que buscam um plano estratégico para a logística e competitividade industrial da região Sul. Além do RS, os estados do Paraná, Santa Catarina, debatem uma pauta de interesses comum, entre elas, integrar toda Malha Sul na concessão, ampliando com interesse do Mato Grosso do Sul.

No Estado, é apontada a falta de conexão com a malha brasileira, e a desativação de muitos trechos por conta da catástrofe climática. Hoje, no Estado, são apelas 921 quilômetros de trilhos operando, de Cruz Alta a Rio Grande, transitando a 12 quilômetros por hora. Representantes dos estados e de setores industriais e agropecuários debateram, nesta terça-feira, o plano para o futuro da concessão da malha gaúcha em evento organizado pela Fiergs, por meio do Conselho de Infraestrutura (Coninfra), na sede da Federação.

O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, apresentou o projeto ferroviário nacional, em que tratou dos oito leilões previstos para todo o país. Serão R$ 140 bilhões de investimento. O corredor do Rio Grande do Sul deverá ter 880 quilômetros de extensão, e priorizar cargas geral, greanéis sólidos agrícolas e granéis líquidos. A publicação do edital de licitação está prevista para setembro, e o leilão em dezembro. No projeto, está a participação da União nos projetos ferroviários, em que os contratos podem ter aplicação de recursos provenientes de investimentos cruzados de outros estadose auxílio para investimentos. Os recursos serão movimentados por meio de contas vinculadas sob fiscalização da ANTT e governança conjunta.

O superintendente de Transporte Ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner, apresentou a situação atual das ferrovias da Malha Sul. Ele apontou que as catástrofes climáticas de 2024 trouxeram danos severos ao Tronco Sul, interrompendo o transporte ferroviário de combustíveis e a operação em diversos trilhos, além do aumento de custos e riscos logísticos. A ANTT estima um custo de R$ 2 bilhões para recuperar as vias, custo alto para a concessão. Ele defende a necessidade de equilibrar os valores.

O secretário-adjunto de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, afirmou que esteve participando de discussões com a secretaria nacional, e lembrou que o governo federal teria contratado estudos da malha com a a Infra SA mas que, até agora, eles não foram revelados. "Houve a decisão, a nível do CodeSul, de que contrataríamos uma consultoria internacional com uma perspectiva de poder respeitar os mercados internacionais, de ferrovias, e que pudéssemos desenvolver um modelo que contribuísse a agenda nacional", afirma.

Ele lembra que o interesse dos estados são para a contribuição do Produto Interno Bruto Brasileiro. "Somos estados que tem uma pauta de exportação muito significativa, com portos muito importantes e portanto o abastecimento aos portos se torna um fator decisivo na economia dos estados". Ele defende que o modelo de discussão proposto pelo Governo Federal precisa estar claro e ter contribuiçaõ dos estados, com o objetivo de viabilizar uma ferrovia que aumente a competitividade.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que o Estado está com o modal ferroviário abandonado, e apoiou os demais estados e federações na discussão de novas ideias e soluções. "Não podemos esperar mais. A situação do Rio Grande do Sul é crítica. Nós não podemos mais ficar sem essa integração", afirmou. Ele defende uma ferrovia mais ágil e que atenda a todo o Estado. "Não podemos fazer uma outra concessão tão ruim como esta", diz, referindo-se à Rumo.

Representantes de outros estados também marcaram presença no evento. O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, pontuou que a ferrovia foi uma pauta pouco explorada e com falta de um programa de desenvolvimento ferroviário nas últimas décadas, prejudicando a logística da região. O diretor de produção da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), Gerson Fabiano de Almeida, também marcou presença.

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