Cidades

Fim do prazo para remoção de casas gera incerteza para moradores da zona Norte de Porto Alegre

Prefeitura afirma que desocupação da Vila Brasília, no bairro Sarandi, termina em 28 de fevereiro, mas famílias relatam dificuldades e falta de garantias

Remoção de moradias é necessária para elevação do dique
Remoção de moradias é necessária para elevação do dique Foto : Fabiano do Amaral

A menos de dez dias do prazo final para desocupação da Vila Brasília, no bairro Sarandi, em Porto Alegre, moradores vivem a incerteza sobre o futuro. A remoção das 57 famílias que vivem na área é necessária para a continuidade das obras de reforço no dique do Sarandi, que teve parte elevada após as enchentes de 2024. No entanto, relatos de dificuldades financeiras e falta de garantias no reassentamento geram preocupação entre os afetados.

Mesmo sem ser diretamente afetado neste primeiro momento, o autônomo Claudir Pedro Brito Pole, 42 anos, acompanha a situação dos vizinhos e, por morar, literalmente, dentro do dique, sabe que também precisará sair na sequência. Ele afirma que a remoção ainda é um “imbróglio” e diz que não sairá do local enquanto não receber uma casa. “Não vamos aceitar que nos obriguem a achar uma casa do jeito que querem. Tenho meus animais e não posso simplesmente sair sem ter um lugar adequado para levá-los”, ressalta.

A preocupação se estende também a moradores que têm negócios na comunidade. Fátima Velasquez, 58 anos, e Nilton Adair Siqueira, 54, administram um bar na rua Aderbal Rocha de Fraga há quatro anos e não sabem como recomeçar em outro lugar. “Queremos sair, mas queremos garantia. O aluguel solidário de R$ 1 mil não cobre o custo das casas que encontramos, e ainda teríamos que arcar com caução e mudança”, explica Siqueira. “Ele juntou o fundo de 25 anos de carteira assinada em uma empresa para investir neste bar. Não é fácil abandonar tudo assim, sem ter um lugar certo para ir”, acrescenta Fátima.

A Prefeitura de Porto Alegre divulgou que, 45 das 57 famílias já tiveram seus cadastros aprovados pela Caixa Econômica Federal para o programa Compra Assistida, que auxilia na aquisição de moradias definitivas. Para os demais, a opção temporária é a Estadia Solidária, que prevê o pagamento de R$ 1 mil mensais por até 12 meses.

Mesmo assim, há relatos de famílias que não conseguem encontrar moradias dentro desse valor. A cuidadora Carmem Silvia de Góes, 39 anos, e sua filha, a estudante Rayana Brenda de Góes Trindade, 24 anos, dizem que os aluguéis mais baratos custam R$ 1.400 e exigem caução. “Nos disseram que podemos ficar na casa de parentes, mas casa de parente é para visitar, não para morar um ano”, desabafa Carmem.

A Secretaria Municipal de Habitação afirma que os servidores do Demhab realizaram uma nova visita técnica à área na quinta-feira (20) para esclarecer dúvidas dos moradores. Segundo o diretor-geral da pasta, André Machado, o município segue trabalhando individualmente com as 12 famílias cujos cadastros ainda não foram aprovados.

As obras no dique do Sarandi começaram em janeiro e já elevaram a estrutura a 5,8 metros. A continuidade dos trabalhos depende da remoção completa das famílias da rua Aderbal Rocha de Fraga. Paralelamente, o Dmae segue com estudos para elevar a cota da estrutura a sete metros, ampliando a segurança contra cheias.

O Correio do Povo procurou a Prefeitura para esclarecer as dúvidas levantadas pelos moradores, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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