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Granpal promove discussão sobre ações de prevenção diante da previsão de novos eventos climáticos

Associação dos Municípios da Região Metropolitana está formalizando um sistema de monitoramento climático que ficará disponível para os municípios da Região Metropolitana; sistema vai auxiliar no planejamento e nas ações

Projeção é de que o fenômeno El Niño se intensifique entre novembro e dezembro
Projeção é de que o fenômeno El Niño se intensifique entre novembro e dezembro Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Prefeitos da Região Metropolitana, Vale do Sinos e Taquari, bem como coordenadores e agentes da Defesa Civil de diversos municípios gaúchos estiveram reunidos nesta segunda-feira durante o Encontro Metropolitano da Defesa Civil, promovido pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (GRANPAL) momento em que foram debatidas ações integradas de prevenção e medidas de pronta-resposta diante dos desafios climáticos que o Rio Grande do Sul deve enfrentar com a previsão do fenômeno El Niño. O encontro propôs um alinhamento entre municípios para compartilhamento de ideias e consolidação de uma preparação conjunta.

Na ocasião o prefeito de Alvorada e presidente da Granpal, Douglas Martello anunciou que a Granpal está em fase de formalização de um sistema de monitoramento climático disponível para os municípios da Região Metropolitana. O objetivo é que todos os municípios do Consórcio tenham acesso aos dados sobre o clima. Hoje apenas três possuem (Porto Alegre, Canoas e Guaíba e Canoas). Segundo ele, este sistema é importante para o planejamento e a ação integrada das equipes. Também foi proposto a criação de um protocolo conjunto para melhor proteção e redução de danos nos municípios. Martello também sugeriu a prorrogação do pagamento da dívida do Estado com o Governo Federal e que os municípios e o governo estadual já estruturem decretos preventivos.

Martello falou que é importante que os municípios se mantenham alinhados, que todos tenham conhecimento das obras que foram feitas, das intervenções que estão em andamento, o que está adiantado, quais projetos precisam ser atualizados, as ações de desassoreamento e medidas de mitigação. "Os municípios estão fazendo suas obras individualmente, com recursos liberados pelo Estado, mas essas obras precisam estar dentro de um plano metropolitano para que a intervenção em uma cidade não venha prejudicar a outra. Então essa governança metropolitana desses efeitos climáticos é fundamental para que todos estejamos preparados, para que consigamos estar protegidos dos efeitos climáticos. É extremamente necessário que estejamos alinhados e integrados."

O prefeito ainda enfatizou que a Região Metropolitana representa 3,8 milhões de gaúchos e 40% do PIB do Estado. "A importância estratégica da região metropolitana é vital para o Rio Grande do Sul. E por isso que manter a região metropolitana forte e protegida é proteger também os negócios e as vidas."

Natália Pereira, diretora da Catavento meteorologia, fez uma breve explanação sobre o fenômeno El Niño e como ele deve afetar a região e sobre das consequências desse sistema em todos os municípios.

Segundo ela, diante dos monitoramentos que são feitos semanalmente existe a probabilidade do El Niño ser mais forte entre os meses de novembro e dezembro. "É um sistema que está começando, ele está se formando. Já notamos um aumento da temperatura dos oceanos desde o final do mês passado. E pelas projeções, o pico dele, o momento em que a temperatura vai ser mais quente, vai ser no final do ano, entre novembro e dezembro. Mas o final do El Niño está projetado para fevereiro e março do próximo ano. Hoje, existe 37% de probabilidade dele ser um fenômeno muito forte." Segundo ela, o acumulado de chuva pode chegar a 1000mm no trimestre.

Sobre as ações do governo do estado, a Secretaria-adjunta da Reconstrução Gaúcha, Angela de Oliveira, disse que existem uma série de medidas dentro do plano Rio Grande. "Hoje são mais de 200 ações que já estão em andamento e que com certeza vão nos dar uma condição de resposta muito melhor. O Rio Grande está mais preparado em relação ao que aconteceu em 2024. Nós temos segurança de que os sistemas de proteção das cidades estão avançados e nós vamos conseguir fazer uma governança muito diferente do que nós já experenciamos no passado."

Segundo ela, o estado está muito próximo dos municípios no que se refere as ações de proteção contra as cheias. "Nos últimos dois anos foram realizados mais de 100 encontros com todos os municípios da região metropolitana que tem sistemas de proteção ou que tem projetos. Está cada vez mais perto para que a gente possa ter planos de ação consolidados para cada uma das regiões, de acordo com a vulnerabilidade de cada município."

Por fim, o coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul, coronel Boeira; fez uma apresentação dos números e das ações realizadas durante as enchentes de 2023 e 2024. "Foram dois anos extremamente complexos aqui com o estado do Rio Grande do Sul. Nós enfrentamos, num período de 12 meses, entre os anos de 2023 e 2024, os maiores desastres da história do Rio Grande do Sul. Foram pelo menos 10 eventos extremos. Desastres, tragédias e inundações."

É a partir deste momento, segundo o coronel, que nasce a oportunidade da Defesa Civil do Estado se reorganizar, se reconstruir e avançar. Boeira pontua que Defesa Civil deve trabalhar alinhada com as equipes de meteorologia "Trabalhar de forma participativa para criar condições de passar melhor por esses eventos." Ter equipe qualificada, preparada, com instrumentos e equipamentos eficientes e trabalhar com planejamento e estratégia para atuar em situações de crise.

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