Moradores da Quinta do Portal, no bairro Lomba do Pinheiro, zona Leste de Porto Alegre, estão indignados com a falta de abastecimento de água, que, hoje, chegou ao 10º dia, tudo isto em meio à onda de calor que recentemente atingiu duramente a região. Torneiras secas, dizem eles, são inclusive comuns nesta época do ano, porém a atual situação é fruto não apenas de algo recorrente, mas de uma série de infortúnios, os quais o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) não está conseguindo resolver a tempo de evitar a frustração geral.
Não havendo água, os habitantes da área precisam improvisar, e, de alguma forma, seja a falta total ou parcial do serviço, cerca de 6,6 mil pessoas chegaram a ser afetadas. Cansados de buscar uma solução e sem ter mais a quem recorrer, eles protestaram durante todo o dia na segunda-feira, bloqueando três pontos da Estrada Afonso Lourenço Mariante, uma das principais vias por onde passam diariamente os caminhões da coleta seletiva em Porto Alegre.
“Nosso objetivo era parar a coleta de lixo na cidade”, afirmou o aposentado Cosme Ferreira Moreira, que vive na rua Diógenes Sobrosa de Sousa, uma das mais afetadas pelo problema. Sua esposa, Lorena Rodrigues dos Santos, tem diabetes e faz uso de medicamentos controlados, porém o tratamento tem sido prejudicado por conta das falhas. “Da outra vez, ficamos do Natal até o dia 4 de janeiro sem água. Há 25 anos, é normal isto acontecer por aqui todos os anos”, acrescentou ele.
Se os moradores estão sem o serviço desde o último dia 9, o Dmae enviou caminhões-pipa para a região apenas no dia 15, afirmam eles, o que causou certo alívio, contudo não reduziu o sentimento de abandono. “Íamos até a subprefeitura local (região 4, da Lomba do Pinheiro) e disseram que abririam protocolo, porém isto não nos adianta. Queremos uma solução rápida”, afirmou. Para a casa de Cosme, da esposa, enteada e neto, a conta de água com vencimento no último dia 15 veio, com valor a pagar de R$ 108.
A família tem uma caixa d’água de mil litros e recolhe água da chuva em baldes. A indignação não se resume à residência da família, e se estende a outras. A cabeleireira Luciane Mendes vive com o marido, que trabalha como motorista de aplicativo, e dois filhos na mesma rua, e alegou que não consegue trabalhar há uma semana. “Algumas clientes estão me trazendo água para ajudar, porém não está sendo suficiente”, disse ela.
Moradores da Lomba do Pinheiro sofrem com a falta de água
Reunião na tarde de hoje
Em outros locais da área, a água chegou fraca hoje pela manhã, fazendo com que alguns moradores finalmente tomassem banho após mais de uma semana. Hoje à tarde, está marcada uma reunião entre lideranças comunitárias e integrantes do Dmae na sede do órgão, no bairro Moinhos de Vento, para buscar pôr fim à situação incômoda. Procurado, o Dmae disse que o consumo elevado devido às altas temperaturas, a instabilidade no fornecimento de energia elétrica na Estação de Tratamento de Água (ETA) Belém Novo e a redução dos níveis dos reservatórios impactaram o abastecimento de água.
Na manhã de segunda-feira, os caminhões-pipa já haviam distribuído cerca de 503 mil litros de água na Lomba do Pinheiro e bairros São José, Coronel Aparício Borges e Restinga, e o diretor-geral do órgão, Maurício Loss, reforçou que a Prefeitura está em contato com a CEEE Equatorial para buscar um possível ressarcimento pelos danos causados aos equipamentos. Nesta terça-feira, o número de caminhões-pipa já foi ampliado de dez para 16, e a expectativa é chegar a 20 nos próximos dias. O Dmae fez um processo na rede para ampliar a pressão da água nestas áreas afetadas.