Hemocentro de Caxias necessita de doadores de plasma convalescente
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Hemocentro de Caxias necessita de doadores de plasma convalescente

Tratamento consiste em transfundir a parte líquida do sangue de pessoas que já se curaram da Covid-19 em pacientes que lutam contra doença

Por
Celso Sgorla

Ao coletar o plasma de um paciente recuperado (ou convalescente) e transfundir em alguém que está sofrendo com a Covid-19, os anticorpos auxiliam no combate da enfermidade


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Na tentativa de criar anticorpos e auxiliar na recuperação de pacientes graves da Covid-19, o Hemocentro Regional de Caxias do Sul (Hemocs) segue selecionando doadores de plasma convalescente. O tratamento consiste em transfundir a parte líquida do sangue de pessoas que já se curaram da Covid-19 em pacientes que ainda estão lutando contra a doença.

Quando alguém entra em contato com o vírus, começa a desenvolver anticorpos contra ele, os quais ficam na corrente sanguínea. Ao coletar o plasma de um paciente recuperado (ou convalescente) e transfundir em alguém que está sofrendo com a Covid-19, os anticorpos auxiliam no combate da enfermidade, diminuindo o tempo de internação.

A coleta do plasma é feita por meio da aférese, processo pelo qual o sangue é retirado de um indivíduo, doador ou paciente, com a separação de seus componentes por um equipamento próprio, retendo a porção que se deseja, neste caso o plasma, e devolvendo os demais componentes a quem estiver doando ou recebendo o sangue.

Desde o início da captação, o Hemocs já recebeu 70 candidatos, sendo 14  mulheres e 56 homens. Desses, as 14 mulheres e 18 homens foram excluídos por não serem considerados aptos para o procedimento. Até o momento, foram 20 doações de pessoas entre 28 e 60 anos.

O enfermeiro e responsável triagem e coleta do Plasma no Hemocs, Marcos Venício da Silva Carvalho, explica porque, neste momento, não estão sendo aceitas doações de mulheres. "A presença do anticorpo HLA, responsável por regular alguns aspectos do sistema imunológico, além de ser um componente importante para defender o embrião durante a gravidez, é o principal fator por não estarmos coletando plasma de mulheres. Quando um paciente recebe plaquetas com HLA, seu corpo rejeita o plasma, provocando uma reação adversa, podendo acarretar a síndrome de Trali, lesão aguda pulmonar relacionada à transfusão. Embora já ter engravidado aumenta a chance de ter o anticorpo no sangue, nem sempre é sinônimo da presença dele, isso porque cerca de 80% das mulheres que já engravidaram não tem HLA, o que poderia ser analisado com exames, mas neste momento, é inviável".

Neste momento, as pessoas que podem doar são homens, de no mínimo 18 e no máximo 60 anos, que foram infectados pelo coronavírus, tiveram Covid-19 confirmada por meio do teste PCR, estão há mais de 28 dias recuperados, sem sintomas da doença e não apresentam outras doenças infecciosas. O Hemocs faz triagem e coleta dos interessados e as destina aos hospitais que tiverem protocolo de estudo para uso.


As doações precisam ser agendadas pelos telefones (54) 3290-4543 e (54) 3290-4580 ou por meio do Whatsapp (54) 9-9929-7491 ou 9-8418-8487.