Cidades

Impasse na conclusão da nova ponte do Guaíba ainda preocupa moradores da Vila Farrapos, em Porto Alegre

Dnit afirma que já está contratada empresa para fazer demolição das residências, enquanto realocação das famílias do local segue em curso

Obras paralisadas da Ponte do Guaíba
Obras paralisadas da Ponte do Guaíba Foto : Camila Cunha

Se fosse demandada sua saída de maneira imediata, Márcia Flores, que está desempregada, não pensaria duas vezes. “Nossa esperança é que isto consiga se resolver”, relatou. Ela mora há três anos com o esposo na Vila Areia, uma das comunidades com maior situação de vulnerabilidade social de Porto Alegre, na zona Norte, bem próximo de onde a continuação da nova ponte do Guaíba, nunca terminada, e sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), deve um dia tocar o solo.

O impasse se arrasta há dez anos, pelo menos. Ela e demais moradores da região perto da Arena do Grêmio sofrem com a miséria, ampliada após as enchentes de maio. Ali, o lixo se acumula diariamente e há queima de entulhos todos os dias, ampliando a contaminação. O filho de Márcia, que teve bebê recentemente, precisou sair da área para preservar a saúde da criança. Enquanto isso, a ponte inacabada, um gigante de ferro, aço e concreto inaugurado parcialmente no final de 2020 com três alças de acesso, restando quatro, se ergue sobre o horizonte.

A dona de casa Sirlei da Silva está há 22 anos na área, e relata ser uma das moradoras mais antigas da Vila Areia, permanecendo mesmo depois de um êxodo de habitantes, há alguns anos, e das cheias históricas. “Tem gente que se mudou para Guaíba, Viamão, Canoas, outras cidades. Eu preferiria ir para outro ponto da zona Norte, como o Sarandi, uma parte mais alta, onde a água não atinge”, comentou ela.

Aos poucos, a vila vai perdendo moradores, seja pela saída voluntária devido ao temor de novas inundações, seja por intermédio do programa de compra assistida. Ela disse ainda temer ser realocada para o bairro Restinga, como teria ouvido de outros habitantes da área, mas que já foi negado pela Prefeitura. Há alguns meses, a questão envolvia um impasse entre a Prefeitura e o Ministério das Cidades, especialmente quanto às responsabilidades do reassentamento, algo que está relativamente solucionado a partir dos programas sociais.

Procurado, o Dnit afirmou em nota que foi contratada a empresa que fará o serviço de demolição das moradias restantes do processo de realocação das famílias das vilas Tio Zeca e Areia, ambas na Vila Farrapos. “Este processo está sendo conduzido pela Prefeitura de Porto Alegre, juntamente com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades”, disse o órgão, acrescentando que a licitação das obras remanescentes da nova ponte, que está 97% executada e em operação, deve ocorrer no próximo ano.

O índice de conclusão é o mesmo de dois anos atrás. Para os motoristas, a falta da ponte impede, por exemplo, o trânsito de veículos da área central de Porto Alegre diretamente em direção a Eldorado do Sul via Freeway. Já o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) relatou que foi responsabilizado apenas de fazer os laudos das casas e alinhar o cadastro dos moradores, enviando ao governo federal. Até 22 de agosto, foram entregues 716 deles de famílias via reassentamento, ou seja, quando todos os imóveis da região são incluídos por estarem na mesma situação.

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