Incêndio na Boate Kiss completa oito anos de saudade e revolta incessantes

Incêndio na Boate Kiss completa oito anos de saudade e revolta incessantes

Tragédia que matou 242 pessoas e deixou mais de 630 feridos ainda não teve julgamento dos réus

Renato Oliveira

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A tragédia da boate Kiss, ocorrida em Santa Maria e que resultou na morte de 242 pessoas, completa oito anos nesta quarta-feira. A tradicional programação para homenagear as vítimas do incêndio em todo 27 de janeiro teve, neste ano, mudanças em razão da pandemia. Uma das atividades, organizada pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de SM, será uma transmissão virtual a partir das 20h, pelo Facebook da entidade, com a participação de parentes, artistas e jornalistas. A direção da AVTSM pede que as pessoas prestem as homenagens em casa ou pelas redes sociais, para evitar aglomerações. 

Além disso, a fachada do imóvel ganhou pintura na cor preta e desenhos em apelo por justiça. Na tenda dos familiares, na praça Saldanha Marinho, permanece um painel com as fotos dos 242 mortos. Na madrugada desta quarta-feira, por volta das 2h30min, horário da tragédia, foi acionada uma sirene instalada próximo ao prédio onde funcionava a boate, na Rua dos Andradas. 

Passados oito anos do incêndio, os familiares aguardam o desfecho do processo criminal, em que quatro réus aguardam a realização do júri popular. “Estamos lembrando uma tragédia que tirou um pedaço da nossa vida e o sofrimento continua. Esperamos agilidade da Justiça no julgamento”, afirma o presidente da AVTSM, Flávio da Silva, que perdeu a filha Andrielle Righi da Silva no incêndio. Ogier Rosado, pai de outra vítima, Vinicius Rosado, também aguarda solução para o caso. “Quanto mais o tempo passa, a saudade aumenta. Estamos em um mundo individualista e a pandemia do coronavírus mostra que a lição da necessidade de prevenção não foi aprendida.” 

Em dezembro passado, o processo foi distribuído por sorteio para o 2º Juizado da 1ª Vara do Júri do Foro Central de Porto Alegre, após a decisão que determinou a transferência de uma comarca para outra do julgamento de Santa Maria para a Capital gaúcha. Os empresários e sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão respondem por homicídio simples (242 vezes consumado, pelo número de mortos; e 636 vezes tentado, de feridos).


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